Missa do Vaqueiro


Retirado de Turismo Sertanejo

Sob sol a pino, no dia 20 de julho (nota: foi corrigido assim que li o comentário abaixo. Sou apenas um copiador/ divulgador e, infelizmente, confio nas fontes em que pesquiso… até porque…) , os sertanejos estarão manifestando sua fé num dos maiores eventos religiosos do Nordeste – a Missa do Vaqueiro de Serrita, no Sertão de Pernambuco, a 553 quilômetros do Recife. A celebração teve origem a partir do assassinato do vaqueiro Raimundo Jacó, morto traiçoeiramente nas caatingas do alto sertão do Araripe. Os vaqueiros são homens sertanejos, boiadeiros de perdidas caatingas. Chegam montados nos seus cavalos, vestidos de gibão, botas, coletes e chapéu de couro enfeitado, trazendo no semblante a bravura do homem sertanejo. São milhares de pessoas assistindo o ato religioso, cenário obrigatório para os políticos em campanha.

Em julho de 1971, por iniciativa do padre João Câncio e do cantor Luiz Gonzaga, surgiu a Missa do Vaqueiro, acontecimento religioso dedicado à memória de Raimundo Jacó. Desde então o ato religioso é celebrado sempre no terceiro domingo do mês de julho, ao ar livre, num local onde foi construído um altar de pedra rústica em forma de ferradura, onde se reúnem vaqueiros de vários estados do Norte e Nordeste e se confraternizam diante da fé cristã.

Nos primeiros anos de celebração, o padre João Câncio explicava que o objetivo da era pregar a união entre os vaqueiros e denunciar o clima de injustiça reinante no sertão. Em 1976, quando a missa já era mais um espetáculo turístico do que ato religioso, o padre Câncio se queixava dizendo: “O turista deve entender que o aboio do vaqueiro nessa missa não é apenas folclore, mas sobretudo um grito em defesa de toda essa gente sofrida do sertão”.

Durante a missa, grande parte do público assiste a cerimônia montada em cavalos e, no momento da comunhão, a hóstia é substituída por queijo, rapadura e farinha de mandioca, alimentos presentes no cotidiano dos sertanejos.

A ideologia cristã da missa é um ato de fé do homem sertanejo, que apesar de ser um povo sofrido, não perde jamais a esperança de dias melhores. Os vaqueiros sobem até o altar e fazem suas oferendas com peças de sua indumentária de couro, arreios, e instrumentos usados no pastoreio do gado. Durante o ofertório eles improvisam versos de aboio sobre cada peça ofertada.

Como é do conhecimento dos pernambucanos, o vaqueiro Raimundo Jacó foi encontrado morto no meio da caatinga, a 08 de julho de 1954. Ele havia passado a noite anterior em companhia do colega Miguel Lopes, juntando o gado para levá-lo a uma região onde a seca ainda deixara algum pasto. Logo após o crime, Miguel Lopes foi apontado como o assassino, mas o caso nunca chegou a ser totalmente esclarecido. A pedra que teria sido usada pelo criminoso, manchada de sangue, foi entregue à polícia da cidade, mas desapareceu. E, assim, o crime tornou-se oficialmente um mistério e a história de Raimundo Jacó virou lenda.

Na semana que antecede a celebração da missa, o município de Serrita vive um clima de festa folclórica, com vaquejada, banda de pífanos, zabumbeiros, sanfoneiros tocando forró pé-de-serra, baião, xote , xaxado, cantorias, repentistas, aboiadores, além da feirinha típica, onde são expostos objetos artesanais e decorativos, comidas tradicionais à base de milho e mandioca, rapadura, caldo de cana , beijus, entre outras.
Esta é uma homenagem feita não apenas ao grande vaqueiro Raimundo Jacó, mas a todos vaqueiros nordestinos corajosos que desafiam a imensidão, a seca, a fome e o perigo do grande Sertão nordestino.

Artesanato

O artesanato produzido na cidade de Serrita está sendo confeccionado com contornos mais sofisticados, resultado da parceria, iniciada no final do ano passado, entre a Associação de Artesãos do Sertão Central e a Academia de Design de Eindhoven, da Holanda. Além de ganhar as vitrines do sudeste brasileiro, os objetos produzidos em Serrita já estiveram à mostra no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Espaço Cultural Bandepe, em Recife, e em território holandês.

A Associação de Artesãos do Sertão Central, principal produtora do artesanato de Serrita, recebe o apoio da Fundação Padre João Câncio, ONG que foi criada com o objetivo de preservar a cultura sertaneja. A instituição, fundada há dois anos, leva o nome de um dos criadores da Missa do Vaqueiro.

A presidente da fundação, Helena Câncio, viúva do padre, enfatiza que os produtos confeccionados na cidade fazem bastante sucesso por onde passam. “As pessoas se encantam com a beleza dos objetos produzidos aqui, pois eles carregam consigo toda a simbologia sertaneja”, comemora.

Além da associação de artesãos e da ONG Padre João Câncio, a cidade conta com a Fundação Quinteto Violado. A instituição também realiza capacitação de artesanato em couro e é responsável pela formação de um coral de vaqueiros aboiadores, símbolo máximo da musicalidade do sertão de Pernambuco.

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4 comentários sobre “Missa do Vaqueiro

  1. paulo moreira disse:

    gostaria de saber mais sobre artesanato em couro, pois tenho um comercio em alagoas e me interesso em comprar os produtos para divulgacao num local turistico( praia do frances ).

  2. Caburé disse:

    Prezado: caso seja de seu interesse, entre em contato comigo pelo email hecorjui@hotmail.com que lhe ajudarei no que for possível. Eu tentei lhe enviar uma mensagem, mas não sei se recebeu, sr. Paulo Moreira. Na mensagem eu lhe sugeria produtos em couro acabado típicos não apenas do nordeste, mas também do Sul. Rio Grande do Sul, por exemplo, os utensílios assumem ares mais práticos: mateiras (bolsa onde se transporta o mate e a garrafa térmica), chicotes, tiras para as boleadeiras, tapetes… No nordeste há o gibão, o chapéu (de vários formatos), enfim! muitas coisas. No mais, fique na Paz e um grande abraço. O autor.

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