Um Pouco Sobre Dinara Pessoa

Retirado de JCOnline

Dinara Pessoa tomou gosto pelo pastoril desde o tempo de infância

A pesquisadora, que chegou a participar de jornadas, viu-se obrigada a pagar com dinheiro do próprio bolso a nova fornada de discos para atender aos pedidos

A pernambucana Dinara Helena Pessoa, desde a infância, está ligada à cultura popular e ao pastoril, particularmente. “Quando pequena, dancei mais de 50 vezes o pastoril”, contou. Acompanhada da mãe, seguia o folguedo na Festa da Mocidade, na quermesse do colégio, em Casa Amarela ou Itamaracá, interpretando os diversos personagens que compõem a apresentação do pastoril. Onde estivesse os cordões azul e vermelho, lá estava ela.

Com o interesse pela música, e pelo piano principalmente, Dinara deixou de dançar e passou a tocar nas apresentações de pastoril. “Deixei de ser brincante para ser uma entusiasta do folguedo”. O seu envolvimento com a música só fez aumentar com a entrada no Conservatório Pernambucano e, posteriormente, a licenciatura e o bacharelado em piano na UFPE.

Para juntar o estudo da cultura popular com este lado acadêmico e erudito, Dinara fez uma pós-graduação em Etnomusicologia, no Centro para las Culturas Populares y Tradicionales, da Venezuela. A formação etnomusical ajudou na pesquisa que ela empreendeu a partir dos anos 70. “A partir de 1970, através do historiador Leonardo Dantas, o Recife passou a abrigar vários concursos de pastoril, muitos deles com a minha presença nas comissões julgadoras”.

Após aposentar-se da UFPE e da Escola Técnica Federal e desempenhar algumas funções na administração cultural do Recife, Dinara decidiu colocar no papel os mais de 20 anos que passou recolhendo dados e sons dos pastoris do Estado. “Mas eu não tinha nenhuma perspectiva, nem condições financeiras de bancar um projeto como este”. Como quem não quer nada, inscreveu o projeto na Lei de Incentivo do Recife e aguardou. “Tomei um susto quando fui selecionada, era a certeza de que o projeto virava realidade”.

O apoio garantiu a produção de duas mil cópias do disco, que se esgotaram rapidamente. Este ano ela voltou a fazer mais cópias, desta vez com o dinheiro do próprio bolso. “As pessoas me procuravam, queriam ter o disco, então tive que mandar fazer mais”.

Para quem estava satisfeita com a recepção da obra, o prêmio do Iphan foi outra grande surpresa. “Depois da premiação do Centro Luiz Freire e da Fundação de Cultura do Recife no ano passado, as pessoas passaram a me dar incentivo, mas não acreditava que pudesse ganhar”. Foram 36 ações selecionadas pelo instituto, distribuídas em cinco categorias. O projeto pernambucano concorreu com outros cinco na categoria de Inventário de Acervos e Pesquisa.

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