ENCONTREI este lindo poema no site Tribuna do Norte – VISITEM
Ele se encontra também no livro ‘Timbre‘, do mesmo autor.
Encouramento
Virgilio Maia
Enfeitei meu chapéu com diamantes,
pingos d’água catados na ribeira,
que uma chuva miúda e benfazeja
borrifou no meu chão, por uns instantes.
Figurei-me um herói, desses errantes,
um Quixote de luz, no pensamento:
barbicacho no queixo, barba ao vento,
coração espremido ao guarda-peito
e as fornidas perneiras tinham jeito
das de rija armadura de outros tempos.
As cantigas candentes do passado
declamei da maneira que queria;
rastejei noite e dia sobra a pista
e os nitridos fogosos de um cavalo.
Tudo ali parecia envolto no halo
do indiviso silêncio onde se lia
o romance da lua que subia
sertaneja aclamando minha veste,
cobiçando, tão bela, tão celeste,
meu gibão de beleza e fidalguia.
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