Poema de Natal – Carlos Pena

Poema de Natal
(in Livro Geral, 1959)
-Sino, claro sino, tocas para quem ?
-Para o Deus menino que de longe vem.
-Pois se o encontrares, traze-o ao meu amor.
-E o que lhe ofereces, velho pecador ?
-Minha fé cansada, meu vinho, meu pão,
Meu silêncio limpo, minha solidão.
Carlos Pena

Poema de Carlos Pena Filho

Carlos Pena Filho
“Nos sítios onde campeavas
Nordeste avaro e sinistro
de sóis sem fim do sertão,
povoavas as campinas,
as vastidões desoladas
com tua negra solidão.”
Nota: poema retirado do livro Sem Lei Nem Rei de Maximiano Campos, ed. Melhoramentos, 10ª edição, 1990.

Soneto da Busca – Carlos Pena

Soneto da Busca
Eu quase te busquei entre os bambus
para o encontro campestre de janeiro
porém, arisca que és, logo supus
que há muito já compunhas fevereiro.
Dispersei-me na curva como a luz
do sol que agora estanca-se no outeiro
e assim também, meu sonho se reduz
de encontro ao obstáculo primeiro.
Avançada no tempo, te perdeste
sobre o verde capim, atrás do arbusto
que [...]

Desmantelo Azul – Carlos Pena

Desmantelo Azul
Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.
Para extinguir de nós o azul ausente
e aprisionar o azul nas coisas gratas
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso [...]

Soneto Oco – Carlos Pena

Soneto Oco
Neste papel levanta-se um soneto,
de lembranças antigas sustentado,
pássaro de museu, bicho empalhado,
madeira apodrecida de coreto.
De tempo e tempo e tempo alimentado,
sendo em fraco metal, agora é preto.
E talvez seja apenas um soneto
de si mesmo nascido e organizado.
Mas ninguém o verá? Ninguém. Nem eu,
pois não sei como foi arquitetado
e nem me lembro quando apareceu.
Lembranças são [...]