rezadeiras

Roda de Conversas com as Rezadeiras – RJ

A Coleção Temática de Plantas Medicinais do Jardim Botânico do Rio de Jane iro e seu Patrocinador Herbarium têm o prazer de convidá-los para a Roda de Conversas com as Rezadeiras, Dona Anselmina Araujo de Oliveira e Dona Maria Aparecida da Silva chamadas carinhosamente por D. Nina e Vó Maria respectivamente.

Com larga experiência no ofício de socorrer as pessoas da comunidade com seus saberes e através das tradições da reza, orações e preces, contribuem para a preservação da cultura de um povo.

Data: 31 de Maio de 2012
Horário: 15h
Auditório: Espaço de Convivência Coleção Temática de Plantas Medicinais
Entrada: Portaria Pacheco Leão n° 915 – Jardim Botânico do Rio de Jane iro.
Inscrição tel: 2294-6590

Coordenação : Angela Porto e Yara Britto

Instituto de Pesquisas Jardim Botanico do Rio de Janeiro
http://www.jbrj.gov.br/

Categorias: cultura, cultura popular, Jardim Botânico, rezadeiras, RJ | Tags: , , , , | Deixe um comentário

Material sobre Benzedeiras ou Rezadeiras

TEXTOS ACADÊMICOS pesquisados no Google
Ser rezadeira: experiências e práticas culturais de participantes da Medicina popular. Gov. Mangabeira – Recôncavo Sul da Bahia (1950-1970) -
Alaíze dos Santos Conceição

Saúde e Salvação: O sagrado das Rezadeiras em Paulista – Sandro Roberto de Santana Gomes

O ofício das rezadeiras como patrimônio cultural: religiosidade e saberes de cura em Cruzeta na região do Seridó Potiguar -
Francimário Vito dos Santos

PRÁTICAS DE REZAS: ORALIDADE E CULTURA NO COTIDIANO DAS REZADEIRAS - Andrea Carla Rodrigues Theotonio

REZADEIRAS: GUARDIÃS DA MEMÓRIA - Claudia Santos da Silva

Categorias: benzedeiras, cultura, cultura popular, religiosidade popular, rezadeiras | Tags: , , , , | 1 Comentário

Caiu a espinhela? Procure por elas, as Rezadeiras

Não sou o AUTOR – RETIRADO DE Overmundo

“Lenços giram no ar limpando o pó/
que cai agora e sempre/
As Rezadeiras Rogam ao Tempo/
o Tempo e Maré não esperam por ninguém”

Rezadeiras (um poema), de Claudia Puget.

Da esquerda para a direita: Dona Philomena, Dona Chica, Dona Elza e Dona Eurides

Ériton Berçaco


Dona Chica e sua vizinha Dona Jesuína, que a procura sempre em busca de oração

Madrinha Elisa – culturas indígena e portuguesa se misturam na reza

Com a fita de tecido, Dona Philomena sabe se a espinhela está caída ou não

À soleira da porta, Dona Elza reza e “corta” a íngua do filho

Nova geração: Élida, 22 anos, aprendeu a rezar com a avó

Muqui, também conhecida pelo casario histórico, preserva a rica cultura popular

É um ambiente de fé e de luz a casa de uma rezadeira. Quem já procurou alguma para se benzer sabe do calor humano que se pode sentir ao estar diante de uma das figuras mais mágicas e singulares da cultura popular brasileira. O olhar, o acolhimento, as vibrações positivas, o sentimento de proteção, são coisas que enchem nossa alma de felicidade. Numa casa simples, na esquina ali na frente, numa casa no morro ou na baixada, em uma cidadezinha de inteiror, em uma estrada na roça, em um lugar singular é sempre possível encontrar alguém com o dom da reza e da cura. São rezadeiras, curandeiras (os), benzedeiras, rezadores, pessoas que dedicam grande parte do seu tempo para simplesmente ajudar os outros.

Mas, como bem diz o poema “Rezadeiras”, de Claudia Puget, o tempo não espera por ninguém. E, com o passar do tempo, as rezadeiras têm sido menos procuradas e, também, já não se encontram tantas rezadeiras por aí, como nos tempos da minha avó. Ou das minhas avós, já que ambas são rezadeiras.

Para falar deste tema aqui no Overmundo, fui à busca de conhecidas rezadeiras aqui em Muqui, sul do Espírito Santo. Na cidade, mesmo sem nenhum registro oficial do número de pessoas que rezam, e mesmo já não tendo tantas rezadeias como antigamente – algumas já faleceram -, ainda é possível encontrar senhoras conhecidas por livrar muita gente de males que às vezes a medicina oficial desconhece. E o que não faltam são notícias de gente que só conseguiu alcançar sua graça (seja ela a cura de uma doença ou mesmo a recuperação de algum objeto perdido) por meio da bênção de uma rezadeira.

Uma das rezadeias mais conhecidas de Muqui é minha avó materna, dona Philomena Mateinni Bernardi, 86 anos, filha de italianos e católica fervorosa, rezadeira há mais de 50 anos. É difícil quem não a conheça e quem nunca tenha ido pedir suas bênçãos. Em média, Dindinha – como a chamamos -recebe cerca de 5 pessoas por dia em sua casa. Mas, como ela diz, “já teve vezes de receber gente o dia todo”. O que ela reza com mais freqüência é “espinhela caída”, que, segundo ela e outras rezadeiras, trata-se de uma dor no estômago, provocada pelo deslocamento de uma nervura, ou cartilagem, localizada na “boca do estômago” – saída do esôfago para o estômago.

Para os males, rezas e ervas medicinais
Além da espinhela caída, os males mais comuns curados pelas rezadeias são o mal olhado, o vento virado, cobreiro, íngua, quebranto, torção muscular (destroncado), , erisipela (vermelhão na perna, resultante de uma infecção causada pela bactéria estreptococos) e mal de simioto.

Os chás e banhos de ervas medicianais também são, muitas vezes, receitados. As ervas podem ser benzidas, o que torna sua eficácia ainda maior. Um emplasto com sumo folhas de saião com sal é tiro e queda para destroncado; também pode-se tomar o sumo da erva que age como antiinflamatório. O chá de rosa branca é ótimo para o útero e doenças relacionadas a essa parte do corpo da mulher. O chá de erva-doce é recomendado para espinhela caída e age, também, como calmante.

No caso de Dindinha (Dona Philomena), ela também reza contra pragas em plantações e faz o Responsório de Santo Antônio. O Responsório é feito para se encontrar algum objeto perdido. Ela conta que um produtor de café da região procurou por ela, pois haviam roubado muitas sacas de café de seu armazém. Ela rezou o Responsório e pediu que ele tivesse fé. Uma semana depois, o agricultor voltou dizendo que as sacas haviam sido recolocadas no lugar. “De certo que a pessoa se arrependeu de ter roubado e devolveu o café. Santo Antônio, com o poder de Deus, faz com que a pessoa se arrependa do que fez e devolva o que roubou”, conta dona Philomena. Muita gente que tenha perdido relógio, celular, e dinheiro a procuram. No caso de dinheiro, ela diz que é mais difícil de recuperar, pois como é algo que se gasta fácil, a pessoa talvez já não esteja com ele quando ela faz o Responsório, o que dificulta a devolução.

Outra conhecida rezadeira na minha família é a Madrinha Elisa, avó paterna. Elisa Gomes Berçaco, tem 76 anos, é descendente de uma índia com português. Dessa mistura – além dos traços fortes: pele morena e cabelos negros e escorridos -, surgiram as orações católicas (portuguesas), mas com o ritual indígena de rezar passando um galho de erva (vassoura ou vassourinha) embebido em água sobre a pessoa rezada. “Eu rezo desde os oito anos de idade. Aprendi a rezar com o meu pai. Eu rezo com galhinho de vassoura, rezo com a mão”. A reza de mal olhado é bastante curiosa: quando a pessoa está com mal olhado, o galhinho verde fica murcho, de imediato. Caso contrário, ele se mantém viçoso. Isso não foi ninguém que me contou, eu pude presenciar. Mesmo morando na zona rural, Madrinha Elisa reza pessoas de casa e de fora, que procuram por ela.

Dona Chica
Procurando por outras rezadeiras, fui até a casa de Dona Chica – Francisca Paula Siqueira, de 82 anos. Devota de São Cosme e Damião, além de ter cumprido por 10 anos a promessa de dar doces e balas às crianças, há mais de 50 anos é “médica de Deus”, como se autodenomina. Segundo ela, o dom de rezar veio quando ainda era solteira e ela vivia chorando, sem motivos. “Por qualquer coisa eu chorava, menino. Chorava, mas chorava muito. Aí um dia eu pedi a Deus, com fé, que ele transformasse esse choro em um dom, porque não era comum chorar daquele jeito”. O dom veio quando uma senhora a procurou com o filho pequeno, que estava doente. A mulher pediu que ela rezasse a criança, ela rezou e a criança ficou curada. “Aquela criança foi um anjo que veio trazer o dom que eu pedi a Deus”, conta emocionada.

Quando voltei à casa de Dona Chica, para fazer a foto para a matéria, ela havia acabado de rezar dona Maria Jesuína da Silva, sua vizinha de 95 anos. “Quando eu não estou me sentindo bem eu venho aqui. Venho sempre. Ela me reza de mal olhado e espinhela caída”,, conta Dona Jesuína, que ficou feliz com a minha presença, já que não tirava foto há muito tempo. O conselho de dona Chica é simples, “você rezando à noite, com fé, o Creio em Deus pai (ou Credo), você deita despreocupado e nada te atenta”. Dindinha também já dizia: “O ‘Creio em Deus Pai’ afugenta o demônio, você sabe”.

Hibridismo religioso e conhecimento popular
A origem de muitas rezas pode ser puramente religiosa, ou fruto de um hibridismo de religiões, ou mesmo de um misto entre conhecimento popular com práticas religiosas. Em geral, as rezadeiras se dizem católicas, mas muitas recebem influência de crenças espíritas, como as das religiões afro-brasileiras e dos rituais indígenas. A cultura das rezadeiras, como é conhecida no Brasil, não se trata apenas de uma tradição nacional, claro.

A reza, a oração, o ato de impor as mãos (providas ou não de objetos sagrados como crucifixos, livros sagrados, ervas, entre uma imensa variedade de coisas) é comum em muitas culturas ocidentais e orientais. Hajam vista alguns rituais budistas, hindus; e mesmo entre evangélicos a cultura das orações por meio da imposição das mãos não deixou de existir. Embora a maioria deles – ex-católicos – reprovem a prática das rezas.

Mal de simioto
Um dos males que costuma afetar muitas crianças, é o mal de simioto, ou mal da tesourinha, que deixa a criança abatida, desnutrida, que a faz definhar de maneira à se assemelhar a um macaco; daí a palavra simioto. O nome “tesourinha” refere-se a uma marca que pode ser vista na base da espinha dorsal da criança, em forma de uma tesoura aberta.

Em Muqui, além de dona Chica, quem reza este mal é dona Eurides Capettini Gonçalves, de 75 e descendente de italianos. A oração, que, segundo ela, é a única que pode livrar a criança deste mal, é rezada em italiano. “Eu não sei dizer se a criança tem ou não o mal, a pessoa traz e eu rezo. Se tiver, vai ser curada, mas também peço pra procurar um médico, porque pode ser outra coisa que só um médico vai diagnosticar”, conta.

As rezas resistem ao tempo
Mesmo em tempos atuais, com os avanços da tecnologia e com os mais modernos recursos de que dispõe a medicina do século 21, a cultura das rezadeiras, ou benzedeiras, ainda resiste. Se em número menor nas grandes cidades brasileiras, no interior do país ainda há pessoas que rezam e acreditam na cura por meio da palavra. A assessora parlamentar, Vera Lúcia Santolini Borges, residente em Vitória, conta que sua mãe a levava em duas rezadeiras conhecidas da zona rural de Muqui, onde ela passou a levar seus filhos. Mas, infelizmente, as duas rezadeiras vieram a falecer e ela não conhecia ninguém que rezasse na região. Só recentemente, descobriu uma rezadeira em Vitória, onde passou a levar seus filhos: “De vez em quando eu peço pra ela rezar meu filho, quando ele está muito agitado, caindo muito”.

Para a psicóloga Thereza Maria Galvão da Silva, as rezadeiras, ou curandeiras, desempenham, no imaginário popular, o papel de milagrosas, principalmente onde a questão religiosa é muito forte. “As pessoas vão às rezadeiras em busca de algo sobrenatural, acima delas, como se as curandeiras tivessem o poder mágico de curar”. E daí a cura pela crença, pela fé. Thereza acrescenta, “as pessoas transferem para o curandeiro a fé que elas têm, reconhecendo que ele tem uma força maior, mágica. No interior, onde o acesso a cuidados médicos costuma ser precário, o curandeiro é aquele que socorre, aquele que acolhe.”

A importância dessas pessoas em regiões do interior do país é tanta, que no Ceará, segundo matéria da Folha Online, o Programa de Saúde Familiar (PSF) conta com a ajuda de rezadeiras para garantir que muitas famílias tenham acesso a informações sobre prevenção e tome cuidados com a saúde. Antes, as rezadeiras representavam um empecilho para os médicos, pois orientavam seus “pacientes” que não procurassem pela medicina oficial. Agora, rezadeiras e médicos trabalham em parceria.

Censo mapea Rezadeiras
Um interessante registro dessa manifestação sociocultaural é o realizado pelo Censo Cultural da Bahia, por meio da Secretaria da Cultura e Turismo daquele estado. O levantamento, feito no período de 2002 a 2006 em 417 municípios, registrou cerca de 700 rezadeiras. O curioso é que, desse total, apenas cinco rezadeiras são de Salvador. O que mostra que essa cultura é mais difundida no interior.

O censo também revelou a idade das rezadeiras. Tanto nas cidades da Bahia, como em Muqui, é difícil encontrar rezadeiras com idade inferior a 60 anos. Esse dado reflete a realidade dessa manifestação sociocultural em outros municípios brasileiros. A maioria das rezadeiras está em idades avançadas. Para Dona Elza Fernandes Rosa, de 70 e poucos anos – como ela disse -, rezadeira há mais de 30 anos, “não há problema em ensinar às pessoas mais jovens a rezar, a dificuldade é encontrar quem queira aprender”.

Nova Geração de Rezadeiras
Em muitas cidades do interior do Brasil, ainda é comum encontrar na genealogia de algumas famílias uma pessoa que reze. E, geralmente, a oração foi ensinada pelos pais, ou avós, mantendo assim a conhecida prática da transmissão oral de conhecimentos populares. Só na minha família há duas rezadeiras tradicionais, além de outras mais jovens que vêm aprendendo o encanto de poder abençoar os rostos de sua gente e acolher os que sofrem de toda falta de sorte.

Preocupada em ter alguém para rezar o próprio filho e pessoas da família, a comerciária Élida Maria B. Félix, de 22 anos, procurou a avó – a Madrinha Elisa – com quem aprendeu algumas orações. Depois, ao levar seu filho para rezar com dona Eurides, acabou aprendendo outra oração importante. “Eu aprendi a rezar mal de simioto e espinhela caída”. Por enquanto, ela só reza pessoas da família, mas diz que sente que todos têm mais fé nas rezadeiras mais antigas. Além de Élida, sua irmã e duas primas também já aprenderam algumas rezas e são a garantia de que a tradição não vai se perder.

Outra rezadeira jovem, mas que já reza há 25 anos, é Elizete Almeida, de 43 anos. Segundo ela, aos sete anos recebeu uma visão. “Um anjo saltou em minha cama e eu vi a imagem de Jesus na Santa Ceia. Contei para minha mãe e ela me disse que aquilo era um dom”. Desde então, ela desenvolveu o dom da oração. Elizete recebe pessoas de vários lugares. “Vem gente até de fora do Espírito Santo”. Com a grande procura, ela resolveu estabelecer horários para a reza, porque não estava dando conta de cuidar dos serviços da casa.

Em geral, as rezadeiras não têm horário certo para rezar. Porém, há algumas restrições: algumas rezam só durante o dia, outras não rezam aos domingos. Dona Eurides, no entanto, disse que reza em qualquer dia e horário, pois “Deus está todos os dias e todas as horas com a gente”. Elas também não cobram para rezar, já que entendem que têm um dom e não devem cobrar por isso. Mas, também não recusam agrados. “Tem gente que traz algum mantimento da roça, outros trazem bolo, biscoito. A gente aceita, né?”, conta Dona Chica.


Todas as rezadeiras se dizem intermediárias entre Deus e o homem. Para elas, o dom da cura é dado por Deus. Na maioria das vezes, as orações utilizadas são o Credo (creio em Deus pai), o Pai Nosso e a Ave-Maria. Dona Eurides Capettini diz que qualquer um que tenha fé pode rezar. Dona Philomena me explica que para rezar tem que ter fé. “Rezar sem fé é o mesmo que pegar um balde d’água e jogar fora. Você perde a água e perde seu tempo”.

A forma como rezam varia. Algumas usam apenas as mãos puras, outras usam um terço, como Dona Chica. Dona Elza chega a usar uma faca, para cortar (simbolicamente) a íngua. Já Dona Philomena não usa o tradicional galhinho de “mato”, ela benze espinhela com uma fita de tecido, por meio da qual sabe se a pessoa está, ou não, com a espinhela caída (ferida, machucada).

“Não sou Benzedeira, nem Rezadeira”
É muito comum, entre as mulheres que rezam em Muqui (onde a maioria da população se diz católica), a recusa do jargão “rezadeira” ou “benzedeira”. Talvez pela associação a outras crenças, em que a palavra está vinculada ao espiritismo ou ao candomblé. “Não gosto que falam que eu sou rezadeira, nem benzedeira, porque a gente não precisa ficar se exibindo, falando, que reza, que cura. Graças a Deus, todo mundo que eu rezo fica bom, mas não precisa ficar falando, né?”, diz dona Philomena.

Perguntadas se pretendem parar de rezar algum dia, elas dizem que não pretendem, pois não se pode deixar de exercer um dom de Deus. Elizete Almeida disse que já pensou em parar de rezar, mas, segundo ela, o mesmo anjo que lhe anunciou o dom da reza disse-lhe que ela não devia parar, porque este era seu destino.

Ir ao acolhimento de uma rezadeira é, também, ir ao encontro de si.

Categorias: benzedeiras, benzedura, reza, rezadeiras | Tags: , , , | 4 Comentários

Benzedeiras Guardiãs – música

Benzedeiras Guardiãs

Composição: Rosinha de Valença/Martinho da Vila

As rezadeiras usam
Águas da chuva e do rio
Curam as dores do corpo
Cisco no olho, espinhela caída

As benzedeiras vão
Com fé na oração
Curando nossas feridas
Como obaluaê

As rezadeiras quebram
Quebranto, mal olhado
Males que vem dos ares
Nervos torcidos, ventres virados

As benzedeiras são
As estrelas das manhãs
As nossas anciãs
Nanás buruguêis

Afastam a inveja
E o mal olhado
Com suas forças
Com suas crenças
Com suas mentes sãs

As rezadeiras são
As nossas guardiãs
Por dias, noites, manhãs
Nanás

Estaca canção é uma oração
Para as benzedeiras
Do coração mando este som
Para as rezadeiras

As rezadeiras são
As nossas guardiãs
Por dias, noites, manhãs
Nanás

Categorias: benzedeiras, música, rezadeiras | Tags: , , | Deixe um comentário

Conhecendo as Benzedeiras de Goiabeiras Velha

Retirado de Shvoong

Conhecendo as Benzedeiras de Goiabeiras Velha – Jamilda Alves Rodrigues Bento
Publicado em: junho 05, 2006

O livro “Conhecendo as Benzedeiras de Goiabeiras Velha”, trata de mostrar um pouco sobre a cultura e o trabalho das verdadeiras doutoras em cultura popular, elas contam um pouco sobre o que sabem, para as pessoas interessadas pela arte e a cultura da benzedura.

O livro foi feito observando diretamente a prática das benzedeiras mais velhas. Personagem presente no cotidiano de tantas gerações na comunidade de Goiabeiras – Vitória – ES, estas mulheres utilizam-se de todos os ingredientes possíveis, para efetuarem os seus “benzimentos” naqueles que as procuram para a cura dos males do corpo e do espírito.

Cada religião tem suas tradições, mas não se pode negar que algumas destas estão presentes em mais de uma religião; dentre elas, pode-se citar, a benzedura.

Segundo o conceito do dicionário Aurélio, benzer significa fazer o sinal da cruz sobre (pessoas ou coisas), recitando certas fórmulas litúrgicas, para consagrá-la ao culto divino ou chamar sobre ela o favor do céu <…>. Porém, o ato de benzer não se resume a isso.

Trata-se, de um costume passado de geração em geração, que inclui, o sinal da cruz e também outros ritos, entre os quais estão: banhos, chás, simpatias, imposição das mãos, aspersão de água benta, além da utilização de materiais simbólicos como: tesouras, facas, ramas, terços, panos, agulhas entre outros.

O conhecimento das benzedeiras vai além, ultrapassa até, de certa forma, a medicina, resolvendo aquilo que não se obteve êxito através de conhecimentos médicos, pois elas admitem a possibilidade de um sintoma ser reflexo de algum mal espiritual, e é por isso que muitas pessoas
procuram a ajuda das benzedeiras. A elas foi associada, a crença da resolução para todos os males, sendo estes físicos ou espirituais.

Enquanto uns as procuram somente em casos de doenças, para outros, as benzedeiras são uma espécie de intermédio entre, religião e devoto, visto que essas pessoas na sua grande maioria estão ligadas a alguma religião.

Para as benzedeiras, o que faz com que sua benzedura seja realizada com êxito, é a pessoa ter fé, “nóis é mensageira das palavra de Deus, mas se a pessoa num credita naquilo, num dianta nada de vir aqui pedir ajuda” diz, dona Domingas Correia Santana, de 80 anos; é como se elas
fossem interlocutoras da divindade.

No Estado, temos um grupo de benzedeiras muito conhecidas, que são as benzedeiras de Goiabeiras, onde também ficam localizadas, as paneleiras mais famosas do Estado; as panelas de barro, fazem parte de nossa cultura, bem como as benzedeiras de lá.

Elas, nunca cobram pelo trabalho que fazem de benzer, e quando questionadas, dizem não cabimento, cobrar pela palavra de Deus, pois ela é dada para elas como um dom, mas que algumas pessoas lhes são tão gratas pela cura, que acabam dando algum tipo de agrado, que vão desde doces, a cestas básicas.

Ao contrario do que fazem os médicos que procuram uma solução biológica para uma doença, que muitas vezes tem origem psicológica, as benzedeiras vão ao íntimo das pessoas através da fé, lá chegando, elas transformam, através de seus rituais, a doença em algo bom. Tudo, como fazem questão de frisar, sempre através da fé; fé essa, que é o verdadeiro remédio para as doenças, na qual as benzedeiras, apenas
indicam a forma e a quantidade que deve ser tomada.

Categorias: benzedeiras, ES, rezadeiras | Tags: , , | 2 Comentários

Blog no WordPress.com. O tema Adventure Journal.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 80 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: