O cordelista das escolas

RETIRADO DO Sítio Global Editora

O cordelista das escolas

Costa Senna um dia entendeu que sua missão era plantar cordel na mente e no coração de jovens e crianças nas escolas. Foi em 1979, em Fortaleza. Bem antes disso, entendeu seu grande desejo na vida, que era o de ser poeta de cordel. Foi de menino, na cidade cearense de Quixadá, onde o vento é forte como as pessoas de lá. Desde 1989, Costa Senna atua na Grande São Paulo, onde já percorreu mais de 300 escolas. É autor de dois livros pela Global Editora, Caminhos diversos – Sob os signos do cordel eCordéis que educam e transformam, a base de suas apresentações nos últimos anos, como se pode ver neste vídeo.

 

 

Rolando Boldrin

RETIRADO DO SÍTIO Carta Capital

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Rolando Boldrin, dos quintais ao palco

Aos 80 anos, Rolando Boldrin celebra em disco o Brasil caipira capaz de rir de si mesmo com poesia
por Ana Ferrazpublicado 14/09/2016 04h57
Pierre Yves Refalo

Boldrin

Tirar o Brasil da gaveta, missão regada a poesia

Rolando Boldrin tinha 10 anos quando viu pela primeira vez Alvarenga e Ranchinho. O menino de cabelo loiro branco, danado como todo moleque criado solto no interior, ficou paralisado. Com verve afiada, a dupla entremeava a cantoria com histórias ouvidas aqui e acolá, garimpadas em conversas despretensiosas, cujo arremate enseja graça irrefreável. A cidade era São Joaquim da Barra, o palco, o picadeiro de um circo.

Muitos anos depois, Boldrin realizou um dos sonhos de infância ao contracenar com Ranchinho, cujo parceiro havia “viajado fora do combinado”. Camisa xadrez, viola debaixo do braço, repetiram no programa Som Brasil, então transmitido pela Globo, um dos célebres causos dos compositores, cantadores e humoristas. 

“Combinamos o número nos bastidores. Numa dupla caipira sempre tem um que faz o papel de mais burrinho e o outro de esperto. O Ranchinho começava dizendo ‘Cumpade, sabe que arrumei uma namorada?’ ‘E ela gosta docê?’ ‘Ela me ama.’ ‘Como ocê sabe?’ ‘Porque ela me elogiou, me chamou de idiota.’ ‘Cumpade, idiota é um cara que você explica as coisas e ele não entende. Entendeu?’ ‘Não.’ ‘Então ela te elogiou.” 

A homenagem foi um sucesso. “Jurei que ia fazê-lo voltar à ativa. Eu trabalho para isso, mostrar valores artísticos, poéticos e culturais brasileiros. O importante no programa não sou eu, é mostrar o Brasil. Consegui ainda reunir Venâncio e Corumba, sem gravar havia 12 anos.”

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Na TV Tupi, em 1973, no elenco de Mulheres de Areia, com Guarnieri, Antonio Fagundes, Liza Vieira, Ana Rosa, Eva Wilma e Maria Izabel de Lizandra (Foto: Pierre Yves Refalo)

Próximo de completar 80 anos, Boldrin ainda é um artista movido a emoção, essa centelha inexplicável cuja ausência levou-o a deixar a Globo no auge do Som Brasil, na década de 1980. “Foram três anos na emissora, sofria muita pressão, boicote na divulgação, era um ambiente pesado, me fazia mal. A Som Livre queria colocar artistas da gravadora no programa. O João Araújo ameaçou falar com o Boni para tirar o Som Brasil do ar.”

Entre um gole no café preto servido em bule de ágate e um causo bem contado, Boldrin faz um passeio à infância e recorda com vivacidade a dupla Boy e Formiga. Figurino provido pela Casa Salomon, o primeiro patrocinador na carreira a se prenunciar, ele era Boy, homenagem do pai Amadeo ao ator William Boyd, o implacável caubói Hopalong Cassidy, cujos cabelos platinados pareciam os do filho. O irmão, magrinho, era Formiga. Nas quermesses, o patriarca de 12 filhos colocava os artistas mirins em cima de uma mesa para cantar. E quando foi inaugurada a primeira emissora de rádio na cidade, a dupla foi convidada a integrar o elenco. Salário de 50 mil reis e fã-clube entusiasmado. 

Quando Formiga tinha 16 anos e Boy 13, o mais velho desistiu da carreira. Seu Amadeo, o mecânico de temperamento enérgico a sonhar com uma réplica caseira dos grandes Tonico e Tinoco, entristeceu. Boldrin, sapateiro de ofício, continuou a se imaginar artista. Não perdia um espetáculo do circo-teatro, sentava-se na primeira fila para observar o trabalho dos atores. “Me imaginava no lugar deles. E assistia peças como O Mundo Não me Quis,Miguel Strogof, o Correio do Kazar, O Ébrio.”

São Joaquim da Barra encolheu diante das ambições de Boy, que numa aventura juvenil decidiu ir para São Paulo com dois amigos. Para o pai, 16 anos era mais do que hora de deixar o ninho. “Vá, caboclinho, e muito juízo por lá”, recomendou. Na mala de papelão viajava uma solitária gravata, e nada mais.

Na capital, enquanto a grande chance não aparecia, se virava como sapateiro, frentista, auxiliar de armazém. “Fiz testes para radioator em todas as emissoras. Até que, em 1958, fui aprovado na Tupi. Figurante sem fala recebia metade do cachê.” A estreia foi em O Processo de Joana D’Arc, na qual “interpretou” um capuchinho que passava na frente da igreja. “Daí comecei a falar, ‘trouxe uma carta para o senhor’, coisas pequenas. Atuar foi um processo natural, sou autodidata.” Entre os colegas de figuração estavam Plínio Marcos, Fulvio Stefanini e Walter Negrão. 

No total, atuou em 35 novelas, muitas ao lado de Irene Ravache. A frequência foi tamanha que quando Hebe Camargo perguntou a ela qual havia sido seu par romântico mais constante, a atriz disse: “Fui tantas vezes mulher do Rolando Boldrin que penso em pedir pensão”. Fora os sofríveis dramalhões mexicanos e cubanos como O Direito de Nascer eAlma Cigana, obrigado a fazer por contrato, passeou por muito mais enredos e papéis que o ingênuo Boy ousaria imaginar.

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Em 1948, dupla com o irmão. No Sr. Brasil, com Tom Zé (Foto: Pierre Yves Refalo)

A música, a literatura, a poesia, as histórias singelas dos quintais do Brasil nunca deixaram de ocupar um latifúndio no coração e nos planos profissionais de Boldrin. Atuou na tevê, no teatro contestatório de Zé Celso e Augusto Boal, no cinema, mas não deixou de cultivar o hábito iniciado aos 11 anos de descobrir e decorar poemas e textos. Seu programa, hoje na TV Cultura sob o nome Sr. Brasil, sempre começa com uma poesia. No cenário, no qual Patricia Maia expõe a beleza e a multiplicidade do artesanato brasileiro, os convidados são recebidos com o calor humano de uma casa de interior. 

A proposta é fazer um mapeamento musical e cultural do País, tirar o Brasil da gaveta. “Trago muita gente, descubro muita gente. Almir Sater cantou pela primeira vez no meu programa.” Os convidados são tantos que não caberiam numa lista. Tom Zé, com quem participou nos anos 60 da Feira Paulista de Opinião, definiu o anfitrião como “a identidade número 1 do povo brasileiro no momento diversão”.

A matéria-prima de Boldrin é o caipira criativo e gozador, a rir da própria desgraça e da alheia. Um caipira capaz de produzir modas impermeáveis ao tempo, como Romance de uma Caveira (Alvarenga e Ranchinho), que com galhardia narra o infortúnio do esqueleto trocado por um “defunto fresco”. Talento e qualidade que em nada lembram a música sertaneja. “A caipira é a tradicional cantada em dueto, quanto mais simples o arranjo, mais puro é. Ela trata um assunto passional de forma completamente diferente da sertaneja de alto consumo, cujas melodias românticas de gosto popularesco têm arranjos influenciados por gêneros estrangeiros.”

A deturpação inicia-se no fim dos anos 1960, situa Boldrin. “Começou com Léo Canhoto e Robertinho, que passam a se apresentar com roupas de faroeste, óculos escuros, cheios de anéis. A dupla Milionário e Zé Rico, também. O maior sucesso destes, Estrada da Vida, é um corrido mexicano. Como as grandes emissoras vivem atrás de modismos, a coisa pega e vende muito.” 

Com brilho no olhar, conta como surgiu a vontade de registrar momentos especiais de sua jornada musical em Lambendo a Colher (Selo Sesc), CD que lança depois de jejum de dez anos. Após almoço em família, saboreava um doce de leite quando bateu forte a lembrança da mãe, Alzira, que fazia e enviava o quitute aos filhos distantes. “Ali decidi fazer o disco da minha vida.” 

Lambendo a Colher. Rolando Boldrin. Selo Sesc, R$ 20,00

Entre as dez faixas, o samba autoral Maria Isabel, censurado nos anos 60 e nunca gravado. A singela historieta da moça cuja beleza encanta os soldados de um quartel, possivelmente até o general, não soou bem aos ouvidos da repressão. Outra delícia inédita é O Tal da Barata, de Noel Rosa. Nos anos 1970, Boldrin almoçava com o ator Geraldo Gamboa num restaurante da Avenida São João, quando este lhe revelou a música composta pelo poeta para um ator cantar vestido de mulher. 

Os causos, impressos de tal forma na identidade do brasileiro que Boldrin vaticina jamais deixará de existir quem se encarregue de contá-los, continuam a lhe aguçar o paladar e a entremear a conversa. Na despedida, desencava um contado pelo amigo Juca de Oliveira. Em turnê com Ricardo III, o ator recebe no camarim uma jovem a exibir ares de cultivada: “Vou lhe dizer uma coisa, assisti a esta peça em Londres com sir Laurence Olivier e o senhor é muito melhor”. Juca agradece, envaidecido. Antes de se despedir, a moça arremata: “Agora me conte uma coisa, por que o senhor deixou o Som Brasil?” 

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Bordados de João Cândido, recuperados

RETIRADO DO Sítio da EBC

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São João Del-Rei recupera bordados de João Cândido, líder da Revolta da Chibata

Criado em 23/04/13 16h46 e atualizado em 23/04/13 16h56
Por Léo Rodrigues Fonte:Portal EBC

O marinheiro João Cândido, protagonista de um movimento que amedrontou toda a cidade do Rio de Janeiro em 1910, tinha o hábito de bordar. A evidência concreta está em São João Del-Rei (MG), onde se encontram duas toalhas bordadas pelo líder da Revolta da Chibata. Elas fazem parte do acervo do Museu Tomé Portes Del-Rei, que estava desativado e será reaberto ao público.

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Ameaças do governo Temer…

RETIRADO DE Revista Fórum

Quebradeiras de coco, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais, dentre tantos outros segmentos, tendo os quilombolas e indígenas à frente na raiz da identidade nacional. Embora os movimentos tenham críticas ao governo do Partido dos Trabalhadores (PT), estão todos preocupados com os possíveis retrocessos e perdas de direitos nesse contexto de golpe parlamentar que levou Michel Temer (PMDB) à presidência

Por Eduardo Sá, no site da ANA

A diversidade de povos e comunidades tradicionais no Brasil é imensa, assim como seus saberes, crenças e costumes, dentre outros elementos que compõem nossa riqueza cultural. Quebradeiras de coco, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais, dentre tantos outros segmentos, tendo os quilombolas e indígenas à frente na raiz da identidade nacional, são alguns deles. Todos são afetados diretamente com as mudanças em curso no cenário político e o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Embora os movimentos tenham críticas ao governo do Partido dos Trabalhadores (PT), estão todos preocupados com os possíveis retrocessos e perdas de direitos nesse contexto de golpe parlamentar que levou Michel Temer (PMDB) à presidência.

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Jogo, folclore e músicas – cultura!

RETIRADO DO sitio Folha PE

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Jogo usa folclore e músicas para discutir patrimônio histórico

Fases do jogo passam por Nazaré da Mata, Olinda, Fernando de Noronha e pelo Recife

Tue Aug 30 07:31:00 BRT 2016 – Tatiana Notaro, da Folha de Pernambuco
Divulgação
Jogo traz folclore, ritmos locais e referências culinárias

A preservação do patrimônio histórico de Pernambuco ganhou nova ferramenta com o projeto “A saga do caboclo de lança”, um jogo para smartphone e computadores onde o personagem-herói, o caboclo, vai percorrer o Estado para combater os “malassombros”, criaturas que querem roubar o brilho da cultura local. Desenvolvido pela Cabra Quente Filmes e pela empresa de games Perna Cabeluda, o jogo foi aprovado pelo Funcultura e deve ter a primeira fase lançada até o fim do ano, compatível para iOS e Android.

As fases do jogo passam por Nazaré da Mata, Olinda, Fernando de Noronha e pelo Recife. “Há sempre figuras folclóricas, tudo gira em torno de Pernambuco. O ‘malassombro’ da segunda fase é o Homem da Meia-Noite, a ‘força’ do caboclo vem do caju”, comenta Hamilton Costa Filho, da Cabra Quente. Os desenhos são claros quanto ao local de cada fase, há presença dos ritmos locais (maracatu, na primeira fase; frevo, na segunda…) e referência à culinária, com cuscuz, espetinhos, queijo de coalho. Com versões em português, inglês e espanhol, os desenvolvedores planejam uma divulgação mundial. “As pessoas no Japão verão o game e terão curiosidade de conhecer esse lugar, tão interessante e tão cheio de cultura”.

O usuário vai encontrar pelo caminho a Capela de São Francisco Xavier (de Nazaré da Mata), a Igreja da Misericórdia (em Olinda) e todo o acervo arquitetônico e urbanístico da Cidade Alta. No Recife, último estágio do jogo, o usuário irá levar o caboclo de lança pela rua da Aurora, Teatro de Santa Isabel, Prédio do Ginásio Pernambucano e ainda pelo conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico do Bairro do Recife.

Desenvolvido pelos designers Matheus Calafange e Miguel Diniz, “A saga do caboclo de lança” teve seu protótipo apresentado para a comissão de fiscalização do Funcultura, no início do mês. Apresentará, inclusive, trilha sonora e o sound design totalmente autorais desenvolvidos pelo diretor de som Pedro Diniz e compostas por ritmos e instrumentos regionais, como xaxado, frevo, baião, maracatu, ciranda, coco, música armorial e manguebeat.

RETIRADO DE BBC BRASIL

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305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil

Pesquisa inédita do IBGE detalhou características de povos indígenas brasileirosImage copyrightTHINKSTOCK

Pesquisa inédita do IBGE detalhou características de povos indígenas brasileiros

Há mais indígenas em São Paulo do que no Pará ou no Maranhão. O número de indígenas que moram em áreas urbanas brasileiras está diminuindo, mas crescendo em aldeias e no campo. O percentual de índios que falam uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas do que entre os que vivem em cidades.

As conclusões integram o mais detalhado estudo já feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os povos indígenas brasileiros, baseado no Censo de 2010 e lançado nesta semana.

Segundo o instituto, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta. Em comparação, em todo o continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones, segundo um estudo publicado em 2011 pelo Instituto de História Europeia.

No “Caderno Temático: Populações Indígenas”, o IBGE faz um mapeamento inédito sobre a localização desses povos e sua movimentação ao longo das últimas décadas.

O estudo diz que, entre 2000 e 2010, os percentuais de indígenas brasileiros que vivem nas regiões Sul e Sudeste caíram, enquanto cresceram nas outras regiões. A região Norte abriga a maior parcela de índios brasileiros (37,4%), seguida pelo Nordeste (25,5%), Centro-Oeste (16%), Sudeste (12%) e Sul (9,2%).

Entre 2000 e 2010, também caiu o percentual de indígenas que moram em áreas urbanas, movimento contrário ao do restante da população nacional.

‘Retomadas’

Segundo a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira, autora do texto que acompanha o estudo, uma das hipóteses para a redução no percentual de indígenas no Sul, Sudeste e em cidades são os movimentos de retorno a terras tradicionais.

Nas últimas décadas, intensificaram-se no país as chamadas “retomadas”, quando indígenas retornam às regiões de origem e reivindicam a demarcação desses territórios. Em alguns pontos, como no Nordeste e em Mato Grosso do Sul, muitos ainda aguardam a regularização das áreas, em processos conflituosos e contestados judicialmente.

Em outros casos, indígenas podem ter retornado a terras que tiveram sua demarcação concluída. Hoje 57,7% dos índios brasileiros vivem em terras indígenas.

Outra possibilidade, segundo Pereira, é que no Sul, Sudeste e nas cidades muitas pessoas que se declaravam como indígenas tenham deixado de fazê-lo.

Ainda que sua população indígena esteja em declínio, a cidade de São Paulo ocupa o quarto lugar na lista de municípios brasileiros com mais índios, com 13 mil. Parte do grupo vive em aldeias dos povos Guarani Mbya nos arredores da cidade, em territórios ainda em processo de demarcação.

O ranking é encabeçado por São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas. O município abriga 29 mil indígenas e foi o primeiro do país a aprovar como línguas oficiais, além do português, três idiomas nativos (tukano, baniwa e nheengatu).

O estudo mostra como morar numa terra indígena influencia os indicadores socioculturais dos povos. Entre os índios que residem nessas áreas, 57,3% falam ao menos uma língua nativa, índice que cai para 9,7% entre indígenas que moram em cidades.

Mesmo no Sul, região de intensa colonização e ocupação territorial, 67,5% dos índios que vivem em terras indígenas falam uma língua nativa, número só inferior ao da região Centro-Oeste (72,4%).

A taxa de fecundidade entre mulheres que moram em terras indígenas também é significativamente maior que entre as que vivem em cidades. Em terras indígenas, há 74 crianças de 0 a 4 anos para cada 100 mulheres, enquanto nas cidades há apenas 20.

Para Nilza Pereira, do IBGE, ao mostrar detalhes sobre indígenas de diferentes pontos do país, o estudo será útil para o planejamento de políticas públicas diferenciadas para esses povos. Os dados também foram usados na elaboração de vários mapas, que compõem o “Atlas Nacional do Brasil Milton Santos”.

Indígenas vêm retornando às regiões de origem para reivindicar demarcação de territóriosImage copyrightTHINKSTOCK

Indígenas vêm retornando às regiões de origem para reivindicar demarcação de territórios

Cultura indígena

O ativista indígena Denilson Baniwa, cofundador da Rádio Yandê, diz à BBC Brasil que o estudo ajuda a combater a falta de conhecimento sobre os povos indígenas no Brasil.

Baniwa, que mora no Rio de Janeiro e é publicitário, diz se deparar frequentemente com pessoas que acham que “o indígena ainda é aquele de 1500”. Segundo o ativista, muitos questionam por que ele se considera indígena mesmo falando português ou usando o computador em seu trabalho.

“Respondo que cultura não é algo estático, que ela vai se adaptando com o tempo. E pergunto a eles por que não vestem as mesmas roupas usadas pelos portugueses em 1500, por que não falam aquele mesmo português e por que não usam computadores de 1995.”

Cofundador da Rádio Yandê, Denilson Baniwa diz que há 'grande' desconhecimento sobre diferenças culturais entre povos indígenasImage copyrightARQUIVO PESSOAL

Image captionCofundador da Rádio Yandê, Denilson Baniwa diz que há ‘grande’ desconhecimento sobre diferenças culturais entre povos indígenas

Para Baniwa, há ainda grande desconhecimento sobre as enormes diferenças culturais entre os povos indígenas brasileiros. Ele exemplifica citando dois povos de sua terra natal (a região do rio Negro, no Amazonas), os baniwa e os tukano.

“Comparar um baniwa a um tukano é como comparar um francês a um japonês. São povos com línguas, hábitos e características físicas bastantes distintas, e isso porque vivem bem próximos. Imagine a diferença entre um baniwa e um kaingang, um povo lá do Rio Grande do Sul?”

Ao mesmo tempo em que combate o preconceito contra indígenas que, como ele, moram em cidades, Baniwa afirma que cada povo deve ser livre para decidir como quer se relacionar com o resto da sociedade.

“Se um povo entender que o contato com o mundo moderno não será benéfico e que prefere ficar mais isolado em sua terra, vamos lutar para que essa decisão seja respeitada.”

Um pouco mais sobre Rubinho do Vale

RETIRADO DO SÍTIO Descubra Minas

  • Belo Horizonte - Viva o Vale - Divanildo Marques

O cantor e compositor Rubinho do Vale, que descobriu entre as ruas de Ouro Preto o verdadeiro significado da palavra cultura, conta ao Portal Descubraminas sobre o despertar de sua trajetória musical, suas desilusões, projetos e, em especial, sobre a sua posição em relação à cobertura da mídia a questões governamentais no Vale do Jequitinhonha.

Descubraminas: Conte um pouco sobre a sua história: infância na roça do pai, estudos em Rubim, experiência na capital e curso superior em Ouro Preto. É uma trajetória bem mineira, não?

Rubinho do Vale: A minha vida está representada em quatro estágios: a roça (onde eu nasci), Rubim, Ouro Preto e Belo Horizonte. Eu nasci na roça, depois fui estudar em Rubim. Aos 17 anos, fui para Belo Horizonte e, aos 21 anos, comecei a faculdade em Ouro Preto. Fiquei lá até os 26. Meu sonho era ser médico, mas como gostava muito de matemática, resolvi fazer Geologia. Nunca me passou pela cabeça virar músico. Passei dois anos estudando em Belo Horizonte – na época estava ocorrendo a Ditadura Militar e eu não tinha muito acesso às informações. O único meio de comunicação disponível era o Jornal Nacional. Só quando fui para a faculdade em Ouro Preto é que tive acesso às informações do mundo e da cultura através dos jornais e revistas da Universidade Federal. Os cinco anos que passei na Universidade fizeram minha cabeça se abrir para o mundo e para a cultura. Foi a partir desse momento que eu me descobri um artista voltado para a minha origem.

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