UM POUCO DE ARIANO


Retirado de Literatura de Cordel

Literatura de Cordel – No 55
Autor: Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 22 de novembro de 2006, 11:00H.
Revisado e ampliado em 05/01/2007.

UM POUCO DE ARIANO
Em Folheto de Cordel

A expressão popular,
Riqueza da humanidade,
Mantida através dos tempos,
N’áurea da simplicidade,
Contudo os grandes sábios
Vêem nela grandiosidade.

Um dos grandes defensores
Deste saber popular,
Ariano Suassuna,
Vate, nobre, salutar,
Hoje aqui neste cordel,
Quero homenagear.

É Ariano Vilar
Suassuna, nordestino,
Pessoense, advogado,
Professor, sempre um menino,
Teatrólogo, romancista,
Um pensador matutino.

Foi na antiga Parahyba,
A cidade em que nasceu
– Que hoje é João Pessoa -,
Seu natal aconteceu
Dia 16 de junho
E o ano que se deu…

1927,
Filho de João Urbano
Pessoa de Vasconcelos
Suassuna, paraibano,
E Rita de Cássia Dantas
Vilar Suassuna, sem engano.
01

Aos 3 anos de idade
Pegou um fardo pesado,
Lá no Rio de Janeiro
Seu pai foi assassinado,
O que deixou Ariano
Triste e traumatizado.

Foi a disputa política,
Antes da Revolução
De 1930,
A importante razão,
Motivo do assassinato
Do seu genitor João.

Este que na Paraíba
Foi Governador de Estado
Do ano de 24 (1924)
A 28 passado (1928),
Era pai de 9 filhos,
Com Dona Rita, casado.

Em 1930,
Após a morte de João
Dona Rita se mudou
Deixou o seu velho chão,
Primeiro pra Pernambuco,
Depois foi para o sertão…

Do Estado da Paraíba
À fazenda Acauã,
Em seguida, com os filhos,
A senhora guardiã,
Foi à vila Taperoá,
Tudo isso com o afã…
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De prover a sua família
Da repleta segurança,
Pois o clima que existia
Não era de confiança,
Rita de Cássia sofreu,
Mas cuidou de suas crianças.

Na vila Taperoá,
Ariano realizou
Os seus estudos primários
E no sertão vivenciou
Estórias, casos narrados
Que o povo de lá contou.

Cantados em prosa e verso
E sotaque peculiar
Que a gente sertaneja
Tem na forma de expressar
Ajudaram Ariano
A melhor assimilar

Que o saber popular,
Suas crenças, oralidade,
Que a poesia matuta,
Sua especificidade
Serviriam de suporte
Com muita fertilidade

Para suas produções
E que fizeram luzir
Peças, poemas, romances
Bem como seu refletir
Ao longo de sua história
Comprovado com um agir
03

Que respeita as tradições
Do Nordeste brasileiro,
Que se orgulha da crendice
Do homem simples, roceiro,
Que valoriza o autêntico
E belo cancioneiro.

No ano 42
Ariano foi morar
Na cidade do Recife
Quando então vai estudar:
Ginásio Pernambucano
E depois vai ingressar

No Colégio Oswaldo Cruz,
Onde a arte foi notada,
Sua expressividade
Fora logo publicada
Nos jornais pernambucanos
Muito bem apreciada.

O seu livro de Poemas,
“O Pasto Incendiado”,
Mostra o seu pensamento
E fora iniciado
No ano 45
E em 70 terminado.

1946
Na faculdade entrou
De Direito do Recife
E com amigos fundou
O “Teatro de Estudante (TEP)
Pernambucano” e criou…
04

No ano 47
A sua peça primeira
Que era “Uma Mulher Vestida
De Sol”, uma trama certeira,
Ganhou concurso do TEP,
Belo início de carreira.

1948,
Ariano escreveu
“Cantam as Harpas de Sião”,
Que mais tarde concebeu
Pra ela nova roupagem
E outro nome ofereceu:

“O Desertor de Princesa”.
No ano seguinte, então,
Escreve “Os Homens de Barro”;
Em 50, a criação
Foi “O Auto de João da Cruz”
Que causara emoção

Pelo reconhecimento
Com o prêmio “Martins Pena”;
Ainda neste 50
Começava entrar em cena,
Ariano advogado,
A produção era plena.

Também aí escreveu
A obra: “É de Tororó”
Juntamente com Capiba
E o poeta maior
Chamado Ascenso Ferreira
Dos três, não sei o melhor.
05

Voltou pra Taperoá,
Onde escreveu e montou
No ano 51
A peça que nomeou
“Torturas de um Coração”,
Nova decisão tomou…

No ano 52
Ao Recife retornava,
A produção literária
A cada ano aumentava;
1953
Ariano editava:

“O Castigo da Soberba”.
“O Rico Avarento” veio
No ano 54,
Ano que ele por meio
Da peça “Arco Desolado”
Teve o cartaz bem cheio,

Pois num concurso em São Paulo
Recebeu menção honrosa.
Já no ano 55
Vieram “Ode” e a famosa
“Auto da Compadecida”,
Trama hilária e jocosa.

Teve grande aceitação,
A crítica a viu muito bem,
O público se encantou
E ganhou espaço além
Das fronteiras do Brasil,
É um sucesso também…
06

Nas traduções encenadas
Em espanhol, em francês,
Em holandês, ou alemão,
Em theco, em filandês,
Em inglês e vejam só
Em hebraico e em polonês.

Escreveu em 56
“A História de Amor
De Fernando e Isaura”;
Em 61 mostrou
O texto “Igarassu”,
Outra obra que ficou.

Ainda em 56
Ariano abandonou
De vez a advocacia
Pra tornar-se professor
De “Estética” da UFPE,
No ano seguinte contou…

Com a encenação da peça
Que era o “Casamento
Suspeitoso” e também
Encenada no momento
A peça “O Santo e a Porca”
De agradável julgamento.

1957,
19 de janeiro,
Casa-se o Ariano,
Matrimônio primeiro,
Zélia de Andrade Lima,
Seu romance verdadeiro.
07

Nasceram então 6 filhos
Joaquim, Maria, Manoel,
A Mariana, a Ana
E também a Isabel:
Os frutos de uma vida
Regada a sonho e mel.

1958,
A peça “O Homem da Vaca
E o Poder da Fortuna”
Nesse ano se destaca;
1959
“A Pena e a Lei” ataca.

Mas só uma década depois
Premiada no “Festival
Latino-Americano
De Teatro” e esse aval
Mostra a beleza da obra,
Desse mestre colossal.

Ainda em 59
Funda o “Teatro Popular
Do Nordeste” e em 60
Começava a mostrar
“A Farsa da Boa Preguiça”,
A peça a se apresentar.

No ano 62
Foi feita encenação
De “A Caseira e a Catarina”,
Depois tomou decisão
Parar com a dramaturgia
E ter a dedicação…
08

Só à Universidade,
Mas chegou a publicar
Em meia quatro: “Coletânea
Da Poesia Popular
Nordestina”, uma obra
Que aqui quero destacar.

Ariano Suassuna,
Sempre idealizador,
No ano 67
Fora membro fundador
Do “Conselho Federal
De Cultura” a propor…

Uma nova reflexão
Ao saber culto e informal,
Por isso que em 70
Cria algo mais que o normal,
Surge em Recife o
Movimento Armorial

Que pregava uma música
Erudita, inspirada
Em raízes populares
Do Nordeste, sendo ousada,
Misto de contemporâneo
Com tradição recriada.

Visa o Armorial
Viajar pela cultura,
Da gravura ao teatro,
Da escultura à pintura
Com nostalgia barroca,
Chegando à arquitetura…
09

Às entranhas do Nordeste,
O culto ao nacional,
Madeira, pedras e frutas,
Profeta, virgem, animal,
Os santos martirizados
Constituem o Armorial.

Nossas cores, nossos mitos,
A prosa e a poesia,
O causo e o cordel
Convivem em harmonia,
Bastião e Conselheiro:
Ícones da rebeldia.

O Armorial produziu
Frutos e influência
Nas artes pelo país,
Inda hoje há abrangência
Do que Ariano pregou:
Uma nova consciência.

Funda em 68,
“O Conselho Estadual
De Cultura” e permanece
Nele até o final
Do ano 72,
Sempre fora um canal…

A refletir o passado,
O presente e o depois.
No ano 69
A UFPE propôs
Para ele novo cargo
Onde muito bem se impôs.
10

Como exemplar diretor
Logo no “Departamento
De Extensão Cultural”
Atuando do momento
Até o ano 74,
Foi certo o investimento,

1971,
Expõe num ar de revolta
“A Pedra do Reino e o Príncipe
Do Sangue do Vai-e-volta”,
Vingança particular,
Da sua caneta se solta.

É que a obra foi um meio
Que Ariano encontrou
De manter vivo seu pai
Por isso o homenageou,
Hoje “A Pedra do Reino”
A rede globo adotou.

Mas já em 72
Fora premiado pelo
“Instituto Nacional
Do Livro”, que sem apelo
Sugere respeito à arte
Que Ariano tem zelo.

Em 74 edita:
“Movimento Armorial”,
Edita em 75,
De Silviano, o aval:
“Seleta em Prosa e Verso”,
Outro referencial.
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Também em 75,
Em produção quase atlética
Escreve o seu trabalho:
“Iniciação à Estética,
Teoria Literária”,
Seu pensar e sua ética.

No ano 75
Ia secretariar
A Educação e Cultura
De Pernambuco e ficar
Até o ano 78,
Mas vou aqui registrar

Que no ano 76
Ariano, o professor,
Iria adquirir
O diploma de doutor
Pela UFPE,
Onde por lá ensinou

Por uns 32 anos
“Estética e Teoria
Do Teatro” e também
Ariano ensinaria
Sobre a “Literatura
Brasileira” e daria…

A “História da Cultura
Brasileira” e sua ação
“De’agitador cultural”,
Promoveu sua eleição
À imortal da ABL,
Justo por aclamação.
12

Isso no mês de agosto
Do ano 89,
Já em maio de 90
A Academia o absorve.
Na cadeira 32,
Muitos são quem o aprove.

As Infâncias da Quaderna,
Por volta: 76;
Também foi ano importante
Na UFPE, desta vez,
Tese de Livre-docência,
Outra coisa que ele fez:

A Onça Castanha e a Ilha
Do Brasil: Uma Reflexão (…)
A Cultura Brasileira;
Nesta época veio então:
Ao Sol da Onça Caetana,
Uma outra composição.

No ano 77,
Surge “O Rei Degolado”,
Que como “A Pedra do Reino”,
Por ele classificado
“Armorial-popular
Brasileiro”, inusitado.

1980
Ariano redigiu
“Sonetos com Mote Alheio”;
Em 85, surgiu:
Os “Sonetos de Albano
Cervonegro”, então se viu.
13

No ano 94
Ariano é aposentado,
E Miguel Arraes o faz
“Secretário de Estado
De Cultura”, em Pernambuco,
Lá, esteve dedicado.

94, “Uma Mulher
Vestida de Sol” ganhou
Especial de tv,
Na rede globo passou;
Já no ano 97
“A História de Amor…

De Romeu e Julieta”
Saiu no suplemento “Mais”
Do Jornal “Folha” – São Paulo.
Em 98, faz
Um “cd de poesia”;
E em 99, traz…

Novo trabalho: “Poemas”.
Em 2000 são editados
“Ensaios, dissertações,
Teses antigas”, mostrados
No exemplar número 10,
Cadernos denominados…

Então de Literatura
Brasileira e neste ano
Da UFRN
Viraria Ariano
Um Doutor Honoris Causa,
Homenagem sem engano.
14

Ariano Suassuna,
Dramaturgo, romancista,
Um professor, imortal,
Poeta e ensaísta,
O cavaleiro andante,
É quase um sertanista.

Um defensor incansável
Da cultura popular
Das raízes brasileiras
E em muito particular
Do Nordeste, do sertão
E do que é peculiar.

Poucos são os que o criticam
Por ele fazer a mistura
Do que há no erudito
Com a popular cultura,
Mas a unanimidade
Ariano não atura.

Ele também não aceita
Influência do modismo,
Não gostou do mang-beat
E nem do Tropicalismo,
Até mesmo a Bossa Nova
Por ter mão do estrangeirismo.

Ariano Suassuna
Como intelectual
Polemiza, faz pensar,
Postura de magistral,
Não aceitou o prêmio Sharp
De nome internacional.
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Ariano também é
Membro das Academias:
Pernambuco e Paraíba
De Letras, uma antologia
Viva da nossa cultura
Que nos causa alegria.

Um escritor respeitado
Que não nega a condição
Da arte de qualidade
Que existe no sertão,
Que há no Brasil e pouco
Passa na televisão…

E não se vê na escola
Como deveria ser:
O professor discutindo,
O aluno sempre a ler
As minúcias de um legado
Que não pode se perder.

Para tanto ele luta,
Dá sua colaboração
Convidando o nosso povo
Para a valorização
Da vida que brota em arte
Sobre os palmos deste chão.

Neste cordel agradeço
Ao que o mestre tem ensinado;
Se faltou informação,
Se algo está equivocado
Escreva-me Ariano
Que o texto é revisado.
16
FIM

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2 comentários em “UM POUCO DE ARIANO

  1. oi adorei o cordel> Parabéns pelo brilhante trabalho. Sou professora de artes em Minas Gerais e estou a procura do texto A historia do amor de Romeu e Julieta de Ariano Suassuna para encenar com meus alunos. Por favor se consegui-lo poderia fazer a gentiliza de envia-lo para mim, fico grata. Um abraço.

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