‘Cante Lá Que Eu Canto Cá´ completa 30 anos de criação


Retirado de Universidade Regional do Cariri – URCA

Em: 04.03.2008 – às 18:09
Aniversário de Patativa ganha destaque no Diário do Nordeste

Matéria publicada no Diário do Nordeste de 04 de março de 2008, destaca as comemorações do centenário de Patativa do Assaré. Confira:

OBRA DE PATATIVA PODERÁ SER TEMA DE NOVOS ESTUDOS

O universo fascinante de Patativa do Assaré foi destacado na abertura das comemorações de seu aniversário

Assaré. As comemorações do centenário do poeta Patativa do Assaré, que no próximo dia 5, se estivesse vivo, completaria 99 anos, foram abertas na manhã do dia 1º, com palestra do reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), professor Plácido Cidade Nuvens, sobre o tema “O Porquê das Comemorações dos seus Cem anos”. O reitor é pioneiro na divulgação do trabalho de Antônio Gonçalves da Silva, no Brasil, por meio da edição, pela editora Vozes, em 1978, do Livro “Cante Lá que Eu Canto Cá”, o maior sucesso editorial do poeta. A sua influência foi primordial para publicação da obra. Cidade Nuvens falou do Patativa que conheceu, conviveu e a relação de cumplicidade com o poeta e sua obra.

O município promove grande festa de aniversários pelos 99 anos, mas, até 2010, o centenário continuará sendo assunto de pauta. Há uma proposta a ser estudada por instituições da região para realização de um simpósio nos próximos dois anos para estudar a obra do poeta popular.

A filosofia de um trovador nordestino, subtítulo do livro, iniciou o trajeto da palestra do reitor. Ele lembrou dos passos para publicação da obra, que seria o grande marco da literatura brasileira. Do soneto, da lira do poeta maior do sertão brasileiro. Trinta anos depois da primeira edição, o centenário de Patativa. O primeiro livro lançado pelo poeta, mas de uma tiragem mais restrita, foi “Inspiração Nordestina”.

O reitor da Urca salientou que o título da obra foi o próprio Patativa quem escolheu. Na hora das correções, se tira ou fica o assento de palavras como “vivê” , vírgulas e pontos, o poeta é enfático na construção de um português que traduza de forma realista o dia-a-dia. A vida acima da gramática. É a própria expressão da realidade do vivente nordestino, do sertanejo de vida severina, que se mostra de forma nua e crua por meio da poesia “patativiana”. A filosofia, como forma de entender causa e efeito. “Aponta a origem e o sofrer do penar do Nordestino”, disse o reitor.

Universo fascinante

Já o trovador, remete ao destino da poesia popular e direciona o trabalho do poeta para uma visão clássica, e o nordestino com o seu universo fascinante. “Ele vive e explica o sertão. Patativa é um poeta muito bem situado no seu tempo e no seu espaço. Patativa é o poeta do Assaré. Patativa é um poeta camponês que se tornou o grande porta-voz do sertão, visceralmente ligado à sua terra e à sua gente”, diz.

O reitor também destaca que a dimensão lírica do poeta sertanejo tem um valor superlativo. As críticas em torno do trabalho do poeta foram avaliadas por Cidade, com o livro “Patativa e o Universo Fascinante do Sertão”. A comemoração do centenário de Patativa do Assaré, de acordo com Plácido, se tornou uma efeméride. Está na alma do povo.

“A imortalidade deve ser irrigada a partir do culto da memória dele, em sua terra”, salienta. Quanto ao Assaré, substantivamente unido ao nome da inesquecível ave sertaneja, conforme o reitor, deve ser o templo onde a memória de Patativa deve ser cultuada.

“Patativa era um gênio que não precisava da alfabetização para fazer poesia”, ressalta o reitor. Os quatro diplomas de doutor “Honoris Causa”, oferecido por quatro universidades, entre elas a Urca, são prova de sua genialidade. A lembrança de um de seus admiradores veio da platéia, de forma emocionante. No período em que recebeu da Universidade Regional o título, havia um público seleto e elitizado. O então governador Tasso Jereissati entrou pela porta dos fundos.

A multidão aguerrida queria ver o poeta ser coroado com o título de uma sabedoria já reconhecida. E o Patativa foi sábio e disse: “entro pela porta frente”. Um corredor humano se abriu para o poeta passar, compassadamente. O grito de guerra?, “Patativa é do Povo!”.

A solenidade de abertura contou com a presença de familiares de Patativa, amigos e autoridades. O prefeito municipal, Evanderto Almeida, salientou o sentido “imortal”, do poeta e da projeção dada ao município em virtude do seu trabalho. A comemoração do centenário, conforme Evanderto, terá uma amplitude nacional.

O secretário de Cultura de Assaré, Cícero Renato, destacou o poeta como uma antena sensorial aberta, ligada ao mundo mítico. O projeto da secretaria é levar o nome de Patativa para uma cadeia de rádios da região do Cariri. A pretensão é fazer com que as crianças também compreendam o mundo mágico do ilustre conterrâneo.

A assistente técnica da Secretaria de Cultura do Estado, Norma Santana, ressaltou que as comemorações do centenário de Patativa vão além da data dos 100 anos de aniversário, em 5 de março de 2009. “A perspectiva é encerrar apenas em 2010”. Várias ações em parceria com a Secretaria de Cultura de Assaré serão programadas. Uma delas, ela adiantou com o trabalho a proposta “Dialogando com Patativa”, uma forma de realizar uma releitura da obra do poeta. A idéia é levar esse trabalho para vários municípios da região, a partir do dia 5 de abril, reunindo estudiosos e levando ao conhecimento da população de forma ampliada, a obra de Patativa. A idéia partiu da Academia dos Poetas Cordelistas.

SAIBA MAIS

Características

A poesia ´Cante Lá Que Eu Canto Cá´, de Patativa do Assaré está completando 30 anos de criação. Confira abaixo, parte da obra:

Estrofes

´Poeta, cantô de rua, Que na cidade nasceu, Cante a cidade que é sua, Que eu canto o sertão que é meu/ Se aí você teve estudo, Aqui, Deus me ensinou tudo, Sem de livro precisá, Por favô, não mêxa aqui, Que eu também não mexo aí, Cante lá, que eu canto cá./ Você teve inducação, Aprendeu munta ciença, Mas das coisa do sertão, Não tem boa esperiença. Nunca fez uma paioça, Nunca trabaiou na roça, Não pode conhecê bem, Pois nesta penosa vida, Só quem provou da comida, Sabe o gosto que ela tem… Pois vá cantando o seu gozo, Que eu canto meu padecê, Inquanto a felicidade, Você canta na cidade, Cá no sertão eu infrento, A dor, a misera…´

ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

Mais informações:
Prefeitura Municipal de Assaré, cidade localizada na região do Cariri
Secretaria de Cultura do município
(88) 3535.1360

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