Couro e vaqueiro


Retirado de Fundação Joaquim Nabuco

DIARIO DE PERNAMBUCO – OPINIÃO

João Monteiro Neto – ADVOGADO DA FUNDAÇÃO PADRE JOÃO CÂNCIO EM SALGUEIRO/PE E PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO JOÃO MONTEIRO FILHO

Couro e vaqueiro

Separar a história do couro no Nordeste da do sertanejo e vaqueiro, seria o mesmo de querer se escrever a biografia do Sertão sem citar a caatinga, a aridez de seu chão, seus poetas, o rio São Francisco, Luís Gonzaga, Lampião e nosso cangaço. A variedade e a riqueza dessa “biodiversidade” cultural, aliada à especialidade da conjuntura política e geográfica da região, nos credenciam a pensar desse modo. Além do mais, a maneira muito particular que envolveu o feitio de sua colonização, também nos autoriza a isso. No caso do semi-árido, o couro teve, tem, e sempre terá, papel fundamental no desenvolvimento e difusão de sua cultura.

A história não nos deixa mentir. O homem dessa parte do Brasil, vive em ambiente inóspito, necessitando desse artigo natural como matéria prima para promoção de sua sobrevivência, face à peculiar categoria do solo, vegetação e clima, que lhe rodeia.

É nessa região muito especial, de aspecto singular que o vaqueiro nordestino desenha e borda em suas vestimentas e utensílios domésticos e de trabalho, os versos de suas secas vidas, com suas tonalidades alegres, para que as futuras gerações não esqueçam dessa “pele”, onde transpira suas aspirações e receios, e pulsa os sinais da resistência às injustiças sociais de que ainda é vítima, mesmo em pleno século XXI.

Recentemente, a Fundação Padre João Câncio, entidade responsável pela produção e realização da “Missa do Vaqueiro”, em Serrita/PE, e de estimular ações visando à auto-sustentação do homem do semi-árido, deu passo gigante na direção da preservação da cultura do couro e da história do vaqueiro nordestino. Foi através de sua atuação no semi-árido, que ela firmou diversas parcerias, entre elas com a ONG americana (“Aids to Artisans” – do Texas); com a “Academia de Design de Eindhoven-Holanda, onde interagiu experiência na área de designer de peças em couro, abrindo intercâmbio cultural com a Europa, Japão e EUA. Foram lançadas peças de excelente qualidade em alta costura em formato de casacos, bolsas e calçados (com desenhos e bordadossingulares e originários da região de Serrita/PE); e, com as NCS Designer e Hexa Designer, do Rio de Janeiro, que desenvolvem trabalhos na produção de variados artigos em couro, no Brasil e Exterior.

Ditos artigos já foram expostos em São Paulo, no MAM/Higienópolis e no Recife, no espaço Cultural Bandepe, e a indumentária do “vaqueiro” está exposta, desde o ano de 2002, no Museu Vivo do Cavalo, em “Chantilly” – França, com destaque na Galeria Nobre do Museu, junto com a placa de ofertas. Além dessas parcerias, a Fundação Padre João Câncio já iniciou contatos com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), através de assinatura de “carta de intenções”, para estudo da cultura desse personagem sertanejo (“homem de couro”/”vaqueiro”), para que se crie condições favoráveis de efetivação de pesquisas para se obter dados que servirá de orientação e instrução à confecção de futuros projetos, no sentido da sua promoção social.

A Fundação Padre João Câncio também tem como parceiro a Fundação João Monteiro Filho, que juntas lutam pela regularização da profissão do vaqueiro. Dissociar o vaqueiro do couro e do artesanato, é o mesmo de se “reescrever a crônica de uma morte anunciada”.

São ações como essas que devem ser estimuladas. Sem a voluntariedade delas, cai no vazio o interesse pela preservação de nossa história, cultura e costume.

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2 comentários em “Couro e vaqueiro

  1. O nordeste precisa valorizar sua ultura. O atigo está muito bom e no rumo certo para a preservação de nossa cultura.

    Carlos

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