Ariano Suassuna – Soneto


Ariano Suassuna, 1980

Meu sangue, do pragal das Altas Beiras
Boiou no mar vermelhas caravelas:
À nau Catarineta e à Barca-Bela,
Late o Potro castanho de asas negras.

E aportou. Rosas de ouro, azul chaveira,
Onça-malhada a violar cadelas,
Depôs sextantes, astrolábios, velas,
No Planalto da pedra sertaneja.

Hoje, jogral cigano e tresmalhado,
Vaqueiro de seu couro cravejado,
Com medalhas de prata a faiscar,

Bebendo o sol de fogo e o mundo oco,
Meu coração é um Almirante louco
Que abandonou a profissão do mar.

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3 comentários em “Ariano Suassuna – Soneto

  1. Obrigado pela visita ‘seu’ João. E, note bem, não é por conta das nuvidades, porém é mais pelo estrangeirismos das mesmas em detrimento daquilo que é nosso, produzido por cá. :D

    Um grande abraço.

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