Espetáculo Brincadeira de Mulato é a aposta no Teatro da Caixa


Retirado de Correio Braziliense

23/07/2008
Espetáculo Brincadeira de Mulato é a aposta no Teatro da Caixa

Lúcio Flávio
Do Correio Braziliense

Mestre Martelo está em cena no espetáculo Brincadeira de Mulato

Quando tinha 19 anos, a pernambucana Maria Paula Costa foi convidada pelo escritor Ariano Suassuna para fazer parte do Balé Popular de Recife, uma das criações do mestre. Depois de se especializar em coreografia em Salvador, ela seguiu para Paris, onde se licenciou em dança pela Sorbonne. Foi mais ou menos nesse período que um novo convite do autor de O auto da Compadecida mudaria novamente os rumos de sua trajetória artística com a criação, em 1997, do Grupo Grial, atração desta quinta-feira no Teatro da Caixa com o espetáculo Brincadeira de mulato. “Só fui voltar para o Brasil em 2000, fiquei bom tempo entre lá e cá. Nessa época fomos dando forma a esse projeto”, lembra a diretora, imensamente grata pela aposta. “Tive a sensação de que o tempo todo ele estava investindo para saber se aquela semente daria fruto”, observa.

Primeiro capítulo da trilogia A parte que nos cabe –, completada por Ilha Brasil Vertigem e Castanha Sua Corr –, Brincadeira de Mulato mistura folclore e dança contemporânea para abordar, por meio de três gerações de brincantes (Mestre Martelo, Emerson Dias e Fábio Soares), o embate entre a difícil vida dos cortadores de cana da Zona da Mata e a capacidade deles de se reinventar diante da realidade. São os cavalos-marinhos, personagens de antiga lenda da região. Tema tratado pelo polêmico conterrâneo Cláudio Assis no filme Baixio das Bestas (2007). “Mas enquanto o Cláudio aborda o caso como uma faca cortante, pela raiva, eu pego pelo lado lírico, pela poesia, sem manifesto”, compara a diretora, desde 2006 na estrada com a peça. Brincadeira de Mulato é um jogo que envolve passado, presente e futuro numa homenagem a três figuras de mestres brincantes: Salustiano, Biu e Luís Rodinha, já falecido”, destaca. “Não é dança folclórica, mas material para linguagem contemporânea”, esclarece.

Com 60 anos de experiência como caboclo de lança, personagem da música folclórica pernambucana, mestre Martelo, 72 anos, sobe ao palco do Teatro da Caixa encarnando persona que carrega há 49. “É o palhaço Mateus, figura com forte identificação com o folclore pernambucano”, explica Maria Paula. Os outros dois atores, Emerson Dias e Fábio Soares, não têm personagens fixos e personificam mais de 100 caras”, revela. “Esse é o grande lance do enredo: eles podem ser qualquer personagem, jogam com várias identidades da nossa cultura, esquecem as mazelas de uma realidade que não tem como ser vivida senão daquela maneira”, ressalta.

A concepção cênica, apesar de simples, flerta com teatro e cinema documentário, por meio de lúdico jogo visual projetado por um telão de 6m de altura por 3,5m de largura. Dá a idéia de estar diante de um grande teatro de sombras. “O espetáculo tem 40 minutos de duração, mesmo tempo que as projeções do telão com imagens de ficção e documentário. Tudo acontece simultaneamente, com os atores passando por trás e pela frente das imagens”, antecipa.

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