Noturno – Ariano Suassuna


Noturno

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão…

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

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Um comentário em “Noturno – Ariano Suassuna

  1. Portas escritas

    Minhas calças curtas
    De travessuras, de caçadas
    E aventuras, Monteiro Lobato
    Minha filosofia Suassuna
    E meus olhos cegos, Saramago
    Nas minhas borboletas mortas, Baudelaire
    Na minha angustia, Florbela Espanca
    Uma rosa sem perfume
    E em sua dor, Augusto dos anjos
    Beija sem ciumes
    Um beijo tépido no silêncio
    Mortes, chagas, visões, infernos de Dante
    Minhas mãos Machadianas escrevem versos de Quintana
    Em uma ensolarada tarde, e as horas passam, voam
    Ninguém vê Virginia Woolf
    E Drummond com cara de bom, olhando o céu ao lado de Bandeira
    De bobeira, soltando pipas no ar, sentados na areia
    Na Villa dos lobos, um Tom toca Vinícius
    Eça de Queiroz iça seus anzóis com palavras de ternura
    Usando toques de Neruda
    Eu ando pela Baker street mas não encontro Conan Doyle
    Nem Jô Soares, e na corrida do ouro, Allan Poe corre
    Apressado com os corvos enquanto Mary Shelley tranca seu monstro no armário
    No corredor, Crowley vê Levi, e Bram Stoker carrega um bebê vampiro nos braços
    Fernando pessoa visita o salão filosófico de Platão
    Enquanto meus olhos de Byron naufragam num mar revolto……………

    Sandro Kretus

    O andarilho da terra do fogo
    http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1346801

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