Entrevista com o Antônio Nóbrega


ENCONTREI esta entrevista no ‘saite’ do UOL – Lá é possível assistir ao vídeo.

BATE-PAPO COM Antônio Nóbrega – 02/09/2008 às 16h00

Músico e dançarino conversa sobre seu projeto artístico ligado ao frevo, que inclui o lançamento do DVD “Nove de Frevereiro”, gravado em Recife, no Teatro Santa Isabel, com direção do cineasta Walter Carvalho (“Lavoura Arcaica”).

Participaram do Bate-papo 229 pessoas

(04:10:33) Antônio Nóbrega: O DVD “Nove de Frevereiro” é o remate de um projeto grande e volumoso. Este projeto contempla o CD, o espetáculo e agora o DVD, todos com este nome.

(04:09:38) dona chica: o nordeste e em especial o recife tem uma cultura mto particular e valorizada pelos proprios cidadaos… a que se deve isso:? como fazer a cultura local ser valorizada em todos os cantos?

(04:11:58) Antônio Nóbrega: dona chica, a cultura nordestina a que você se refere é a cultura que chamam de popular. Não desmerecendo a cultura erudita do nordeste. Mas esta cultura é a que marca mais, a que tem o frevo, o maracatu, o baião etc. Historicamente, a capitania de Pernambuco teve muita sorte devido à extração canavieira. Deu-se lá um surto econômico muito rico que fez com que viessem mais escravos negros de várias nações, com que se prendessem mais índios e que viessem mais portugueses para esta região. Todas estas culturas traziam seus dialetos culturais. Então o encontro destas várias nações negras, indígenas e ibéricas em solo pernambucano veio a frutificar uma cultura muito rica que se manifesta através do maracatu, frevo, baiões etc.

(04:09:41) dona chica: boa tarde! queria saber quando começa a viajar com o espetaculo do dvd

(04:12:43) Antônio Nóbrega: dona china, já viajamos pelo nordeste, fizemos algumas capitais, inclusive Recife e ainda faremos algumas apresentações. Gostaríamos de continuar fazendo uma excursão nacional, mas este espetáculo é muito caro, são 30 pessoas no palco. Mas pode ser que ainda tenha uma sobrevida.

(04:11:28) wagner: ola boa tarde vc vai bem?

(04:11:30) alê blue: li que o dvd tem direção do cineasta Walter Carvalho (“Lavoura Arcaica”) que é um filme sensacional! como aconteceu essa parceria? boa tarde

(04:13:57) Antônio Nóbrega: alê blue, esta parceria ocorreu a partir de um encontro antes dele filmar o “Lavoura”. Nos encontramos para fazer um trabalho para uma novela para a Rede Globo onde eu fui convidado para fazer o roteiro.

(04:15:39) Antônio Nóbrega: O Walter deu uma dimensão ao DVD que não unicamente aquela do palco, ele associou certas danças a determinados temperamentos e circunstâncias. Contando comigo, são cinco bailarinos. O frevo é uma manifestação musical em que me contempla muito o fazer artístico.

(04:12:55) wagner: Antonio de nobrega no que vc se inspira

(04:16:42) Antônio Nóbrega: wagner, o que me inspira é um conjunto de circunstâncias e fatores. No frevo o que me inspirou foi a minha contínua identificação com este gênero. Desde os meus primeiros trabalhos eu já me utilizava do frevo. Isto veio se avolumando em minha vontade de apresentar frevo até o momento em que eu resolvi fazer um espetáculo totalmente dedicado ao frevo.

(04:17:27) Antônio Nóbrega: O frevo comemorou cem anos no dia 9 de fevereiro de 2007. Então o proejto ficou as margens deste ano. A primeira versão do espetáculo estreou em 2006, o espetáculo estreou em 2007 e este DVD em 2008.

(04:15:12) fulano: oi, antonio! vc é considerado fenomeno por conseguir unir arte popular com a sofisticação. vc se vê assim?

(04:18:25) Antônio Nóbrega: fulano, eu não usaria a palavra sofisticação, mas o potencialismo, os conteúdos e significados que esta arte popular tem. E que ainda no geral não têm sido contemplados como deveriam. Para mim é muito gratificante ouvir uma consideração desta natureza. Nós recriamos este universo de uma maneira mais elaborada, de uma maneira que contemple a quem vai escutar com mais significados e com mais plenitude artística.

(04:16:05) fulano: vc dança, é multiinstrumentista, pesquisador cultural… oq te dá mais prazer? e mais importante… como conciliar tudo?

(04:19:53) Antônio Nóbrega: fulano, é complicado conciliar. Não saberia dizer qual segmento eu conciliaria. Já pensei em tirar a dança ou o violino, mas percebi que vou até o final de minha vida com estes elementos porque não consigo me apartar deles. Eu me sinto mais artista fazendo estas ligações. No dia em que eu parar de me utilizar da dança ou do violino eu paro com tudo. Mas tudo isto é uma entrega muito grande, porém a gratificação que tenho sempre conseguido faz com que eu me retroalimente constantemente.

(04:16:03) wagner: voce se espelha em quem?

(04:21:03) Antônio Nóbrega: wagner, tem várias pessoas as quais me identifico no Brasil ou fora. Escritores com o Guimarães Rosa, o Ariano Suassuna, poetisa como a Cecília Meireles, Carlos Drumond, João Cabral de Melo Neto, compositores do mundo como Bach, violinistas como David Oistrakh… A minha massa inspiradora de artistas é muito grande justamente pelo fato de eu ser um pouco dançarino e ator. O cômicos como Oscarito, Grande Otelo e Chaplin me inspiram. O meu trabalho é um pouco o encontro do universo da cultura popular brasileira com o patrimônio da cultura universal.

(04:22:19) Antônio Nóbrega: A música foi a que primeiro chegou para mim. Meu pai constatou que eu tamborilava na mesa na hora das refeições e me colocou para estudar violino. A partir daí comecei a dar asas a minha qualidade de artista. Depois o Ariano Suassuna me convidou para participar do Quinteto Armorial eu comecei a frequentar o universo dos artistas populares. A partir destes encontros que eu fui seduzido pela dança. Comecei a aprender a dança dos artistas de frevo, maracatu etc. E ao longo dos anos levei tudo isso como uma gramática, uma linguagem da dança da qual eu crio as minhas coreografias.

(04:17:59) BOPE: Olá, antonio , vc se considera um poeta musical

(04:23:09) Antônio Nóbrega: Bope, me considero um poeta do espetáculo. A forma que faço poesia é na dimensão do palco. Este é o território que mais dignifica o meu trabalho. Também sou compositor. Mas tudo isso é menor do que as minhas qualidades e características de um artista cujo ato criador se realiza no palco, sobretudo.

(04:17:59) tchuca: queria saber oq vc tem visto de bom pelo pais… de bandas, manifestacoes artisticas etc

(04:25:30) Antônio Nóbrega: tchuca, não vou poder citar, pois não me lembro. Mas eu tenho escutado muito a música brasileira. Nestes últimos meses tenho escutado os sambistas do Brasil. Vi um filme ontem chamado “Mistério do Samba” que gostei muito. Estou em vista com um espetáculo onde quero cantar samba. Também tenho viajado na música instrumental baião que tem uma riqueza muito grande. Fico sempre aprofundando um determinado território de expressão que é o Brasil através de suas vertentes e suas grandes peculiaridades. Sempre me encantarei com o choro do Brasil, o samba e os compositores que fazem as canções brasileiras. Por exemplo, o Dorival Caymmi que tem uma obra maravilhosa. É difícil de aceitar as rádios não o tocam.

(04:25:34) Moderador/UOL:

Músico e dançarino Antônio Nóbrega conversa sobre a rica cultura nordestina e sobre o DVD “Nove de Frevereiro” (crédito: Geovanna Morcelli/UOL)

(04:21:34) joca: ha algum tempo a juventudde do suldeste tem redescoberto a cultura nordestina e valorizado bastante isso, como vc ve essa reparoximacao da molecada?

(04:26:50) Antônio Nóbrega: joca, isto é um fator muito positivo. O nordeste tem uma missão para o Brasil. Como os fatores econômicos propiciaram uma cultura rica, elas não são propriedade de Pernambuco, nem os brasileiros devem ver estas culturas aprisionadas dentro de uma cor local, elas devem seguir o Brasil. O melhor jazz americano, por exemplo, não se escuta em Boston, mas em NY. Então se o RS tem uma música boa ela deve se espalhar pelo país e não ficar presa a uma característica regional.

(04:21:39) Rita: Vc tem acompanhado os novos grupos que bebem na fonte da Orquestra Armorial, como o Sa Grama

(04:29:24) Antônio Nóbrega: Rita, conheço o seu trabalho, ele se inspira no Quinteto Armorial. Tem muita coisa bonita. Tenho visto a orquestra Retratos em Recife que tem uma ligação de uma forma ou de outra. O movimento Armorial deixa as suas influências até em modo indireto. Os artistas negam a sua ligação, mas de alguma maneira eles têm um cordão que os liga as idéias do Ariano Suassuna. Esta negativa talvez exista um pouco em PE, mas talvez nem exista mais. Eu notava que existia um pouco de uma negação ao que o Ariano propunha com o movimento Armorial. Mas ele por ter uma fidelidade muito grande a cultura brasileira e popular sempre se mostrou reticente em relação ao movimento mangue beat ou a excessiva apropriação da cultura de massa. Isto gerou mal entendidos ou pensamentos antagônicos aos de Ariano. Mas estas pessoas também mantinham uma ligação com a cultura popular nos moldes Ariano já falava desde os anos 70. Então talvez as pessoas negavam o que Ariano negava que era a presença excessiva de cultura de massa por aqueles grupos que se apropriavam da cultura popular.

(04:21:46) Dinho Curitibano: pretende ainda gravar mais discos como o q gravou nos anos oitenta, um vinil q reunia músicas infantis?

(04:30:20) Antônio Nóbrega: Dinho Curitibano, às vezes penso em gravar um CD dedicado a este universo, mas tenho adiado tanto que não sei se farei. Mas tenho um pouco de interesse, este universo ainda me seduz. Este trabalho já se transformou em CD, saiu pelo selo Eldorado e agora não sei como está sendo a sua distribuição.

(04:21:52) Debien: Antonio….Boa tarde, sou um grande fan……Fale…..como eh a experiencia de dividir o palco com um elenco tao grande. Como eh a dinamica, entre esses personagens e artistas?

(04:32:39) Antônio Nóbrega: Debien, este é o meu primeiro espetáculo em que tenho um elenco tão numeroso, mas fiz isto com o maior prazer. Primeiro porque as pessoas que estão no palco comigo incorporam mais valores ao espetáculo, os dançarinos ampliam o seu significado. E quanto aos músicos, seguramente é diferente ter um número maior. Estou muito fez com esta equipe tão numerosa e tão boa. A montagem foi progressiva, em 2006 não tinha o perfil que tem hoje. No início não tinha patrocínio e a medida que fui apresentando pude ir fazendo um caixa e as idéias foram avançando. Estreei daquela maneira e foi crescendo até chegar a esta maturidade.

(04:26:23) Eliana: quero dizer que adoro seu trabalho e que Rasga do Nordeste fou utilizada numa coreografia de ginastica ritmica pela equipe da minha filha. FIcou lindo

(04:33:02) Antônio Nóbrega: Eliana, que bom…

(04:26:30) Dinho Curitibano: meu nome é Edson, sou um apaixonado pela cultura nordestina……..e adoro teu trabalho

(04:33:13) Antônio Nóbrega: Dinho Curitibano, muito obrigado…

(04:27:58) fleury_75: Puxa a última vez que eu o vi foi no Museu da Casa Brasileira em São Paulo. Foi, sem dúvida, um dos shows mais divertidos que eu vi. Parabéns!

(04:34:33) Antônio Nóbrega: fleury_75, eu fui curador das atrações do Museu da Casa Brasileira e lá os espetáculos são realizados aos domingos às 11h e num destes dias eu me apresentei. E nos demais eu sempre dava uma palhinha através da dança. Foram manhãs muito agradáveis. A presença dos artistas que lá estiveram deixou uma marca muito promissora.

(04:28:06) Beto Diniz: O que você pode falar como insentivo a todos os artistas nordestinos que vivem nesse universo totalmente desfavorável?

(04:35:31) Antônio Nóbrega: Beto Diniz, eu não diria só isso, mas ao artista brasileiro em geral que se sente um pouco preterido eu digo que se realmente ele tem sustância, força interior, que persevere porque há sempre um lugar aonde se pode chegar. Todo artista que realmente tem força interior, ao mesmo tempo que ele tem a força de criador, deve procurar despertar em si a força de manter seu trabalho vivo.

(04:28:09) joca: Como você vê a geração nordestina setentista como alceu, zé ramalho, elba…que fez sucesso influenciados também pelo rock?

(04:37:04) Antônio Nóbrega: joca, o trabalho de todos eles tem uma representatividade na cultura brasileira, principalmente na história da canção muito grande. Eles têm uma ligação que são assimilações pessoais de cada um. E todos têm um papel muito importante. E cada um cria a medida do seu ideário e sua formação contribuindo dentro de uma determinada faixa.

(04:28:20) Dagomir: Acompanho seu trabalho desde o Quinteto Armorial. esse trabalho do Armorial há tempos está fora de catálogo, existe alguma previsão de relançamento?

(04:37:45) Antônio Nóbrega: Dagomir, eu não acompanho, desde que gravamos perdemos qualquer contato com as pessoas que detiveram os direitos do trabalho. Não tenho nenhum controle.

(04:28:20) Vassouras-RJ: vc é 1000, vc se considera um fulano da vida?

(04:38:20) Antônio Nóbrega: Vassouras-RJ, todos nós somos fulanos da vida. Pessoas como você que me animam a continuar a fazer o que faço.

(04:32:51) Dinho Curitibano: Antonio………..me diga uma coisa………dias atrás faleceu um grande ícone da musica nordestina.;o q vc tem ad

(04:32:51) Dinho Curitibano: o q vc tem a falar sobre ele? mestre Salustiano?

(04:32:56) Rita: Ola…a semana começa com amorte de Mestre Salu…o que representa na sua trajetoria

(04:33:30) carlos: Gostaria de saber de vc Nobrega, o que significa a perda de nosso MESTRE SALUSTIANO

(04:41:03) Antônio Nóbrega: Dinho Curitibano, o mestre Salustiano para mim foi a figura de maior representatividade da cultura popular. E esta representatividade foi bem merecida, ele foi um homem de um saber cultural muito heterogêneo, não só sabia, como dominava a dança muito bem. Dentro deste universo refletia com posições muito firmes. Ele foi uma pessoa com um papel muito grande em minha vida desde que o conheci na década de 70. De lá para cá nunca perdi contato com ele. Foi uma perda muito grande, mas foi um homem que deixou uma descendência numerosa que vai dar continuidade. Ele soube plantar o futuro daquilo que ele projetava para o Brasil.

(04:33:32) Dinho Curitibano: Qual a conexão que vc faria entre Mestre Salustiano e Chico Science?

(04:41:50) Antônio Nóbrega: Dinho Curitibano, eu li em um jornal dizendo que morreu o precursor do mangue beat. Mas antes dele apareceram vários como Salustiano.

(04:43:15) Moderador/UOL:

“Pra mim, Mestre Salustiano foi a figura de maior representatividade da cultura popular”, diz Antonio Nobrega no Bate-papo (crédito: Geovanna Morcelli/UOL)

(04:43:56) Antônio Nóbrega: No DVD “Nove de Frevereiro” há um momento em que fazemos uma brincadeira que remetemos ao frevo de rua com a música “Cabelo de Fogo” fazendo uma paródia aos dançarinos arruaceiros. Esta foi a única cena em que só rodou uma vez, foi tão bem feita. Tem fotos muito significativas que nos clareiam muitas coisas.

(04:41:56) Tati: Estou ansiosa para sua apresentação em São Luís do Paraitinga,no Festival da Canção Brasileira quais suas expectativas em torno deste evento?

(04:44:49) Antônio Nóbrega: Tati, as expectativas são muito boas. Já estive lá por muitas vezes. É um evento muito bonito sobre a canção brasileira. Estou muito seduzido por esta idéia.

(04:41:58) gerio: Nóbrega, admirei muito teu trabalho apresentado em Recife alguns anos atrás. Não esperava encontrar tanta capacidade de pesquisa e expressão corporal. Fiquei muito orgulhoso de ver um artista brasileiro com este porte. Obrigado a você.

(04:45:30) Antônio Nóbrega: gerio, agradeço pelo elogio.

(04:42:01) aguinaldo: antonio, qual a grande dificuldade de um artista nordestino aparecer no cenário musical brasileiro?

(04:48:38) Antônio Nóbrega: aguinaldo, a primeira coisa é que este rótulo regional é discriminador. Esquecem-se de que muita coisa que se diz que não é regional é regional sim, é originária de uma determinada região. Por exemplo hip hop que é originário de uma determinada região dos EUA, assim como o jazz. Às vezes se dá uma dignidade de coisa universal quando não tem. O universal é uma qualidade de qualquer coisa que se universaliza porque é bom. A música boa como Bach é universal porque é boa. O que é ruim morre logo. A indústria cultural às vezes tem determinadas características que fazem com que o produto se universalize não por sua qualidade, mas por sua vendagem. O samba de Cartola são canções tão universais como as canções cantadas em todos os lugares no mundo. Estas coisas impedem muito que uma música boa de um artista local seja ouvida porque não tem aqueles ingredientes que dizem que universaliza a música.

(04:42:01) NightStalker SP: Boa tarde? gostaria de saber sua opinião sobre as bandas independentes não tem divulgação escassa nas rádios de São Paulo e demais Lugares do Brasil?

(04:49:53) Antônio Nóbrega: NightStalker SP, é a competição de mercado mesmo, todas estas bandas que estão em evidência um dia foram de garagem. O mercado não pode dar conta de todas as bandas de garagem, há uma seleção natural. Nem se pode dizer que toda a música regional ou toda música do nordeste seja boa. Em todos os segmentos há músicas boas ou não.

(04:42:06) Pires: Siba, uma vez disse que quase não faz show em Pernambuco, porque Pernambuco tem um publico “dificil”, vc concorda. sou pernambucano e vejo que vc faz pouco show em Recife (PE). Isso é verdade?

(04:52:28) Antônio Nóbrega: Pires, eu sou muito amigo do Siba, mas não tenho a mesma impressão. Faço grandes espetáculos por lá e não posso reclamar. Em meu caso, tenho uma ligação com Recife maior que o Siba. Faço apresentações lá desde a época de 70, tenho um público jovem, mas o meu público majoritariamente está na faixa de 50 anos. Também me apresento muito no carnaval, onde também faço um público que vai assistir aos meus espetáculos no teatro.

(04:42:12) Joe: Boa tarde Antônio, gostaria de saber se é vc mesmo que monta a coreografia e como se sente tendo seu trabalho reconhecido?

(04:53:56) Antônio Nóbrega: Joe, no caso do “Nove de Frevereiro” tem uma coreografia coletiva. As coreografias individuais foram feitas por cada um dos dançarinos. Agora, a concepção geral do espetáculo foi feita majoritariamente por mim. Me sinto muito bem por ter o meu trabalho reconhecido. Ser chamado aqui para expor as minhas idéias é sinal de que estou trabalhando direitinho.

(04:42:14) MINEIRO: O QUE VC ACHA DOS MOVIMENTOS MANGUE BEAT , E , O QUE FOI FEITO DO ALCEU VALENÇA? QUERO DIZER QUE O QUE FAZ É MUITO BOM, INCLUSIVE, GOSTARIA DE SABER ONDE ENCONTRAR OS CD’S C/ AS MÚSICAS

(04:55:58) Antônio Nóbrega: Mineiro, a Microservice está fazendo a distribuição de todo o meu catálogo agora. Eu sempre encontro o Alceu no carnaval, já com o mangue beat não tenho uma identificação igual. Mas não vejo isto como algo ruim. A visão como interpretamos a música popular é diferente da do mangue beat. Estas diferenças refletem em pontos de vistas, são caminhos diferentes que respeitamos, mas todos chegam a algum lugar. E no final, temos que ser fiéis ao que pensamos e o tempo que melhor dirá.

(04:45:42) marron: voce precisa vir fazer uma de suas apresentações aqui na cidade de jundiai sp.temos um teatro muito bom

(04:46:10) prrecco: Olá Antonio… vc esteve distante de shows aqui em SP exemplo a Virada Cultural esse ano por que?

(04:57:22) Antônio Nóbrega: marron e prrecco, estivemos em algumas cidades do interior como Indaiatuba, Lorena e Jaú. Enfim, tenho muito interesse em fazer outras cidades do interior. Eu fiz a Virada Cultural do interior um pouco e aqui eu estava com o espetáculo “O Paço” que se apresentou na galeria Olido e eles acharam que já estava de bom tamanho a minha presença.

(04:46:08) wagner: quando voce começou a apreciar o frevo?

(04:57:53) Antônio Nóbrega: wagner, desde quando comecei a me interessar pelo universo da cultura popular. A primeira pessoa que tive a oportunidade de conhecer foi o passista Nascimento do Passo. Cheguei ao frevo primeiramente através da dança, a partir daí comecei a me interessar pela música instrumental do frevo e todas as formas presentes no frevo.

(04:46:45) Joe: como teve a idéia de dançar frevo em um teatro, e qual foi a reação do público no início da carreira?

(04:58:49) Antônio Nóbrega: Joe, eu tive uma boa acolhida quando comecei a dançar frevo. Sempre procurei não me apresentar tal como via na rua, procurei me apresentar sempre de uma maneira peculiar, fazendo a transposição ao palco de uma maneira mais apropriada.

(04:49:06) Guarda-Chuvinha: Dá pra aprender frevo em qualquer idade? Qual o preparo físico necessário para dançar com a sombrinha sem “desafinar”?

(04:59:52) Antônio Nóbrega: Guarda-Chuvinha, dançar frevo é como dançar samba, o frevo pode ser dançado conforme a sua idade. Ele oferece várias opções de passos.

(04:47:45) Garoto: Voce acha que essas eleições podem influenciar, a cultura atual?

(04:47:45) Garoto: antonio oq vc acha dessas eleições? e o inc entivo a cultura?

(05:01:42) Antônio Nóbrega: Garoto, não é de bom tom dizer em quem vamos votar. Espero que o futuro prefeito ou prefeita pense sempre na cultura com a função que ela teve. A cultura ainda está muito ligada a entretenimento, temos que criar uma cisão maior entre entretenimento e cultura. Dentro da arte o diálogo entre o divertir-se e educar é muito mais rico do que o diálogo do entretenimento. A arte deixa um pouco mais além daquele momento passageiro. Devemos pensar que a cultura pode nos tornar melhores.

(04:48:26) Guarda-Chuvinha: Ainda sobre qualificação das culturas… Muitos artistas dizem que é preciso sair do Brasil para ser reconhecido no Brasil? Foi assim com você? Como você avalia essa afirmação?

(05:02:35) Antônio Nóbrega: Guarda-Chuvinha, não acho, embora não me ache um artista bastante conhecido, mas tenho uma imagem pública com um determinado significado. E acho que esta história é besteira, temos que tentar mostrar o que fazemos aqui e ser reconhecidos pelo que realizamos.

(05:04:40) Antônio Nóbrega: O frevo cantado é tido como uma música de carnaval, no entanto a forma frevo pode servir para que nós, através do gênero, veicule outros assuntos que não sejam aqueles ligados ao carnaval. Um dos meus discursos é o de descarnavalizar o frevo, ou seja, fazer uma música que transceda os limites do carnaval.

(04:57:22) Andreza: Antonio, na quarta-feira passada assisti um trcho do seu novo DVD e achei um máximo, esse trabalho de pesquisa que faz com a nossa cultura, no caso do novo DVD o Frevo – enobrece ainda mais a identidade da nossa tão rica cultura brasileira. Com certeza vou comprar porque quero assistir a todo o trabalho de apuração, de preocupação, isso é a mais rica cultura popular. Parabéns.

(05:05:12) Antônio Nóbrega: Andreza, obrigado.

(04:57:22) Rodrigo: Oi Nóbrega, eu tive uma oportunidade em 98 de gravar uma música com teu filho Gabriel e uma Banda que ele integrava com o Rangel e o Manoel Pessoa de Lima que eles chamavam de Maraga Trio. Foi uma experiência impar. Teu menino toca muito!!! Aliás, ele já deve estar um homem…você pode me dar notícias dele? O Maraga Trio ainda está na ativa? Tenho vontade de regravar a música com melhores condições técnicas…Um abração e sucesso, hoje e sempre! Saúde e Paz. Abraço. Rodrigo]

(05:06:52) Antônio Nóbrega: Rodrigo, o trio não existe mais. De vez em quando encontro com o Manoel e o Rangel só vejo raramente. O meu filho atua no campo da música, mas cada vez menos, a partir de cinco a seis anos ele passou a se deslocar para o cinema de animação. Ele tem uma empresa chamada Animatório. Mas vez por outra participa comigo como no “Nove de Frevereiro”.

(05:07:45) Antônio Nóbrega: Estarei na sexta-feira no RJ dando uma aula espetáculo sobre a dança brasileira. Depois estarei em São Luis do Paraitinga no dia 21 e irei para o norte em outubro. Obrigado.

(05:07:48) Moderador/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Antônio Nóbrega e de todos os internautas. Até o próximo!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s