Antônio Nóbrega, Movimento Armorial e o mestre Ariano


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Antônio Nóbrega, Movimento Armorial e o mestre Ariano Suassuna, arte e magia do nordeste brasileiro.
O Movimento Armorial é arte produzida no nordeste brasileiro, tipicamente nacional, fundada nos mitos e na cultura popular.

Objetivo: Arte brasileira erudita a partir das raízes populares do Brasil.

Osmar Gomes da Silva | Para Kaos en la Red | 5-5-2009 |

Antônio Nóbrega

Começou sua carreira tocando em orquestras no Recife, e integrou o Quinteto Armorial na década de 1970. Nóbrega toca canções tradicionais pernambucanas, com violino e rabeca. A formação desse brincante nordestino – que tem como referenciais preponderantes em seu trabalho o escritor Ariano Suassuna e o Movimento Armorial.

Quinteto Armorial

Formado em Recife em 1970, foi o mais importante grupo a criar uma música de câmara erudita brasileira de raízes populares. Ligado ao Movimento Armorial de Ariano Suassuna, que propunha um diálogo entre o cancioneiro folclórico medieval e as práticas criativas e interpretativas nordestinas, o grupo era composto tanto por rabeca, pífano, viola caipira, violão e zabumba quanto por violino, viola, flauta transversa.

Seus integrantes eram Antônio José Madureira, Egildo Vieira do Nascimento, Antonio Nóbrega, Fernando Torres Barbosa e Edison Eulálio Cabral.

Gravaram quatro LPs até o fim do grupo, em 1980. Antônio Nóbrega seguiu carreira solo, e seu trabalho mantém profundas relações com o armorial. No final dos anos 90 um trabalho relacionado ao do Quinteto foi desenvolvido pelo Quarteto Romançal, cujo diretor artístico, Antônio José Madureira, era integrante do Quinteto Armorial.

A arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a relação com o espírito realista e mágico dos folhetos do Romanceiro Popular do Nordeste, Literatura de Cordel, com a música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus cantares e com a xilogravura que ilustra suas capas, assim como o espírito e a forma das artes e espetáculos populares com esse romanceiro relacionados”. Ariano Suassuna

Definição

O Movimento Armorial é representado pela arte produzida no nordeste brasileiro, tipicamente nacional, fundada nos mitos e na cultura popular. Tem como principal objetivo realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares do nosso país. É influenciado por manifestações populares como a literatura de cordel, com sua poesia, suas xilogravuras, e o canto dos seus versos, acompanhado por viola, pífanos e rabeca, como também por personagens míticas, o mamulengo e animais misteriosos do folclore como o cavalo-marinho e o bumba-meu-boi.

São encontradas manifestações artísticas do movimento na literatura, pintura, escultura, arquitetura, música, dança, cerâmica, tapeçaria, teatro e cinema.

Surgiu sobre a direção de Ariano Suassuna, um grupo de artistas da região e teve um importante apoio da Universidade Federal de Pernambuco.

Seu lançamento oficial foi no dia 18 de outubro de 1970, na igreja São Pedro dos Clérigos, em Recife, com a realização de um concerto da Orquestra Armorial e uma exposição de artes plásticas.

Literatura

Inspirados no espírito e na forma do romanceiro popular nordestino, além do próprio Ariano Suassuna, a literatura armorial conta com poetas Ângelo Monteiro, Janice Japiassu e Marcus Accioly e escritores como Raimundo Carrero e Maximiano Campos.

Obras:

Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (Ariano Suassuna), Auto da Compadecida (Ariano Suassuna), A Pena e Lei (Ariano Suassuna), A História de Amor de Fernando e Isaura (Ariano Suassuna), Maça Agreste (Raimundo Carrero), Sem Lei nem Rei (Maximiano Campos).

Pintura, Cerâmica, Escultura e Tapeçaria

“Desenho tosco e forte, quase sempre contornado, como herança da pintura popular; semelhança com os brasões, bandeiras e estandartes dos espetáculos populares nordestinos”. Ariano Suassuna

Destacam-se Francisco Brennand, Miguel dos Santos, Gilvam Samico e Fernando Lopes da Paz.

Antônio José Madureira, convidado em 1970 por Ariano Suassuna para liderar o Quinteto Armorial, descreve assim a proposta do grupo: “fazer uma música popular com elementos eruditos”.

Sua obra propõe um diálogo entre o cancioneiro folclórico medieval e as práticas criativas dos cantadores nordestinos e seus instrumentos musicais tradicionais.

A seleção de instrumentos musicais com que o grupo trabalhava era condizente com sua proposta de síntese, composta tanto por rabeca, pífano, viola caipira, violão e zabumba quanto por violino, viola, e flauta transversal.

O mestre Ariano Vilar Suassuna é dramaturgo, romancista e poeta brasileiro.

Ariano Suassuna é um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, autor dos célebres Auto da Compadecida e A Pedra do Reino, é um defensor militante da cultura do Nordeste.

Ariano nasceu na Cidade da Parahyba (João Pessoa) na capital da Paraíba (Parahyba em ortografia arcaica), num dia de Corpus Christi, o que acabou por ocasionar a parada de uma procissão que ocorrera no dia de seu nascimento na frente do palácio do governo do estado. Ariano viveu os primeiros anos de sua vida no Sítio Acauã, no sertão do estado da Paraíba.

Aos três anos de idade (1930), Ariano passou por um dos momentos mais complicados de sua vida com o assassinato de seu pai, João Urbano Pessoa de Vasconcellos Suassuna (1886-1930), no Rio de Janeiro, por motivos políticos, durante a Revolução de 1930, o que obrigou sua mãe, Rita de Cássia Vilar, a levar toda a família a morar na cidade de Taperoá, no Cariri paraibano.

Ainda em Taperoá, Ariano teve conhecimento da morte do seu pai, que ocorreu dentro da cadeia de eventos que sucederam e estavam ligados à morte de João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, e, como produto destes acontecimentos, sua família precisou fazer várias peregrinações para diferentes cidades, a fim de fugir das represálias dos grupos políticos opositores ao seu falecido pai.

De 1933 a 1937, Ariano residiu em Taperoá, onde fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.

Em 2002, Ariano Suassuna foi tema de enredo do Império Serrano, no carnaval carioca; em 2008, foi novamente tema de enredo, desta vez da escola de samba Mancha Verde no carnaval paulista.

Estudos

Em 1942, ainda criança, Ariano Suassuna muda-se para cidade de Recife, no vizinho estado de Pernambuco, o nde passou a residir definitivamente. Estudou o antigo ensino ginasial no renomado Colégio Americano Batista, e o antigo colegial (ensino médio), no tradicionalíssimo Ginásio Pernambucano e, posteriormente, no Colégio Oswaldo Cruz. Posteriormente, Ariano Suassuna concluiu seu estudo superior em Direito (1950), na célebre Faculdade de Direito do Recife, e em Filosofia (1964.)

De formação calvinista e posteriormente agnóstico, converteu-se ao catolicismo, o que viria a marcar definitivamente a sua obra.

Ariano Suassuna estreou seus dons literários precocemente no dia 7 de outubro de 1945, quando o seu poema “Noturno” foi publicado em destaque no Jornal do Comercio do Recife.

Advocacia e teatro

Na Faculdade de Direito do Recife, conheceu Hermilo Borba Filho, com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as harpas de Sião (ou O desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Seguiram-se Auto de João da Cruz, de 1950, que recebeu o Prêmio Martins Pena, o aclamado Auto da Compadecida, de 1955, O Santo e a PorcaO Casamento Suspeitoso, de 1957, A Pena e a Lei, de 1959, A Farsa da Boa Preguiça, de 1960, e A Caseira e a Catarina, de 1961.

Entre 1951 e 1952, volta a Taperoá, para curar-se de uma doença pulmonar. Lá escreveu e montou Torturas de um Coração. Em seguida, retorna a Recife, onde, até 1956, dedica-se à advocacia e ao teatro.

Em 1955, Auto da Compadecida o projetou em todo o país. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi diria que a peça é “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”. Sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema.

Em 1956, afasta-se da advocacia e se torna professor de Estética da Universidade Federal de Pernambuco, onde se aposentaria em 1994. Em 1976, defende sua tese de livre-docência, intitulada “A onça castanha e a Ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira“.

Ariano acredita que: “Você pode escrever sem erros ortográficos, mas ainda escrevendo com uma linguagem coloquial.”

Academia Brasileira de Letras

Desde 1990, ocupa a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre, o barão de Santo Ângelo, (1806-1879).

Academia Paraibana de Letras

Assumiu a cadeira 35 na Academia Paraibana de Letras em 9 de outubro de 2000, cujo patrono é Raul Campelo Machado, sendo recepcionado pelo acadêmico Joacil de Brito Pereira.

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