Geraldo Simplício – O Nêgo


Geraldo Simplício – 1 parte

Geraldo Simplício – 2 parte

NÃO SOU o autor do texto abaixo. Ele foi retirado do saite Arte na Rede – VISITEM

O encontro de dois mestres

Texto e fotos: Girlan Guilland
Especial para A Voz da Serra

Quando se trabalha com arte, tudo é dinâmico, tudo é imprevisível. Como era de se esperar, o projeto “Guignard – filho de Nova Friburgo” começa a promover  encontros, além dos já previstos e programados.  A seguir, texto integral de Girlan Guilland, publicado na Voz da Serra, em 21.09.2002.

*****

O poeta Gerardo Mello Mourão compara esculturas de Nêgo à obra de Aleijadinho

Gerardo e Léa (ao centro), recebidos por Nêgo em seu sítio Jardim

Quatorze de setembro, sábado. Em meio à estadia na cidade, desde a véspera, por conta de seu depoimento no primeiro módulo do projeto “Guignard, filho de Nova Friburgo”, o poeta Gerardo Mello Mourão – cearense de Crateus – cumpriu um programa diferente naquela tarde.


Foi conhecer, em companhia da esposa Léa (personagem do quadro “As Gêmeas”, que Alberto da Veiga Guignard pintou em 1940), o sítio Jardim do Nêgo – o escultor também cearense, da região do Cariri, radicado há 36 anos em Nova Friburgo, onde desenvolveu a inédita e interessante técnica da escultura diretamente nos barrancos de sua propriedade –, que agora integra também o circuito turístico Tere-Fri, composto por diversas outras atrações entre os 69 quilômetros da rodovia estadual RJ-130, que liga as cidades serranas de Teresópolis e Nova Friburgo.

CENÁRIO

A tarde não chegava a estar tão fria quanto prometeram as previsões para aquele dia. O agradável e convidativo desenho das montanhas em torno da região de Campo do Coelho, na zona rural de maior produção agrícola do estado, serviu de cenário para o rápido, mas comovente, encontro de duas interessantes personalidades da cultura brasileira.

“Oh, professor!”, disse Nêgo, animado e com a reverência que o instante lhe pedia, na recepção ao ilustre visitante, naquele momento em que me coube – como uma das mais nobres missões – apresentar um ao outro.

Naquele contato, do aperto de mão fraterno – quase paternal –, o sorriso e a alegria de Geraldo Simplício eram tão visíveis quanto a surpresa e o encantamento de Gerardo, diante da obra majestosa de Nêgo. Mesmo com o peso de seus 85 anos, fazendo questão de galgar as ladeiras rústicas de terra e pedra para contemplar as obras do jardim, apoiado apenas na inseparável bengala e com a companhia igualmente constante da mulher, Léa, Mello Mourão se surpreendia a cada passo, ante a constatação das peças forjadas no entalhe do barro ou em pedras.

Nêgo mostra as suas primeiras obras, esculpidas nos barrancos, há mais de 20 anos

Ao final do trajeto – diante do presépio interativo, no qual o próprio visitante é transformado em personagem da cena bíblica –, extasiado, Mello Mourão contempla as imensas figuras de Maria, de José e dos Três Reis Magos e, dirigindo-se ao repórter, exclama: “Menino, esse Nêgo é tão importante quanto Aleijadinho. Impressionante mesmo a sua obra!”.

Animado com os visitantes, Nêgo explicou inicialmente como descobriu a técnica, da cobertura com plástico das primeiras peças esculpidas no barro, que criaram o musgo da vegetação. Depois, deu início ao passeio, mostrando suas primeiras peças, como a dos retirantes sorrindo porque viram água – sendo que, numa foto, mostrou a cena em que a escultura possui um filete escorrendo pelo barranco – e ainda a mulher nua, de seios fartos, e fez uma brincadeira sobre o tempo em que ela existe (desde 1981): “São 21 anos. Já está na maioridade”, completou.

Curiosos, os visitantes queriam saber o tempo que o escultor leva em cada trabalho. Ele disse que há uma variação muito grande, mas explicou que, no caso do presépio, foram três meses.

Retribuindo toda a consideração, Nêgo ofereceu como brinde ao conterrâneo cearense diversas publicações em que figuravam reportagens a seu respeito. Desde jornais locais, revistas e a edição recente de um dos suplementos da Serra (O Globo). Ele mostrou também uma edição recém-publicada da revista de bordo da Varig – a Ícaro – com matéria bilíngüe sobre suas criações.

Gerardo Mourão e sua bengala. Os 85 anos não impediram que o poeta
subisse alamedas íngremes para contemplar a obra do conterrâneo

Sem dar-se por satisfeito, o poeta Gerardo parecia ávido por levar, pelo menos, um pedaço daquele recanto paradisíaco de seu conterrâneo. Quando descobriu – levado pelo próprio Nêgo – uma mesa repleta de postais, reproduzindo parte das obras expostas no quintal, ele parecia uma criança diante de um balcão na venda, querendo levar, ao mesmo tempo, todos os doces em exposição. A maioria em fotos de Regina Lo Bianco, trabalho também muito elogiado pelo poeta que a conhecera mais cedo, na entrevista da jornalista Ana Borges para o caderno Light deste A Voz da Serra – depois também de ter visitado a exposição da mesma Regina sobre a Alberto Braune, no Espaço das Artes da Acianf.

O casal Mello Mourão adquiriu mais de R$ 50 em cartões – segundo repetia sua mulher, Léa, para serem distribuídos aos amigos e, sobretudo, para que o filho do casal, o também artista plástico Tunga, de viagem marcada para Paris e Marselha (França), no dia seguinte, pudesse levá-los em sua bagagem à Europa.

Nêgo fez questão de autografá-los um a um, e sem modéstia contou que das três salas culturais mais importantes da cidade, uma tem o seu nome. “As duas demais, no mesmo espaço, são a Sala Guignard e o Salão Villa-Lobos, que encontram-se em reformas”, contou.

Entusiasmado, Nêgo fala ainda que o painel de sua autoria, que dominava um dos saguões do Centro de Arte da Praça Getúlio Vargas, retratando um dos mais autênticos forrós do Nordeste, também está sendo restaurado.

Impressiona, na chegada ao Sítio Jardim do Nêgo, a exuberância da construção que ele está erguendo. Com muros de pedras e torres, a obra em conclusão aproxima-se de um castelo medieval. “Uma autêntica fortaleza” – como lembram alguns, que chegam a ver semelhança com o trabalho do mestre e arquiteto espanhol Gaudí (com muito reaproveitamento de sucatas de pisos, formando mosaicos).

Para os que vêem esta ligação, Geraldo Simplício guarda uma surpresa, que já está no papel. O projeto, ele pretende colocar em prática num futuro não muito distante. É aguardar para ver. Mas este é um tema para uma próxima ocasião…

A HONRA DE UMA MISSÃO
(depoimento)

“Rever Nêgo – alguns anos depois de sua reclusão ao seu sítio Jardim – já seria uma satisfação muito grande. Lembro-me de Geraldo Simplício, nos meus primórdios de ‘foca’, lá pelo início da década de 80, quando o seu forte era a escultura em madeira. Figuras de santos, as nádegas da crioula, a lendária Nêga Fulo – que virou moringa de cana e inspirou marca de cachaça tipo exportação –, as peças de retirantes da seca, as passagens religiosas, como as procissões, enfim… uma importante obra, cuja maioria das peças encontram-se atualmente no exterior, adquiridas por visitantes de vários países, sobretudo europeus.”

“Também foi como uma volta no tempo, aquela minha ida ao seu sítio no sábado, 14, quando pude relembrar um tempo de Nêgo que me passou como um filme na memória. Revi o saudoso xará Girlam Miranda, de quem Nêgo era grande amigo, o Grupo de Arte Movimento e Ação (Gama), as suas primeiras exposições naquele mesmo Centro de Arte de tantas lembranças e que marcou época de uma geração. A cultura friburguense, sempre muito dinâmica e rica, encontrava-se num de seus períodos de maior efervescência.”

“Vida de jornalista é assim. Tem seus dissabores, é bem verdade – como todo pobre e bom mortal –, mas em compensação proporciona momentos mágicos , como este encontro de Gerardo e Geraldo Simplício – dois mestres que o destino quis, um dia, vir unir entre as montanhas de Alberto da Veiga Guignard”. (Girlan Guilland)

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3 comentários em “Geraldo Simplício – O Nêgo

  1. oi meu primo td bem?estamos cm muita saudades q queria lhe pedir uma ajuda para comprar um rancho se poder mim ajudar agradeço q as coias aqui ñ esta muito boa.beijos de sua prima marlene sabia

  2. porfavor entre em contato comigo minha vó é prima dele meu email é rafaelima92@hotmail.com porfavor o nome da minha vó é cleumar maria do nascimento é o marido dela é jose ferreira lima porfavor entre em contato comigo o mais rapido possivel

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