“Guerra” e “Paz” de Portinari em São Paulo


RETIRADO DO blog do sr. Luis Nassif

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“Guerra” e “Paz” de Portinari em São Paulo

Enviado por luisnassif, seg, 06/02/2012 – 16:00

“Uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende.”
Candido Portinari

Hoje completam-se 50 anos da morte do pintor Candido Portinari. “Portinari morreu intoxicado pelo chumbo nas tintas anos depois de concluir os dois painéis de Nova York, sua obra mais ambiciosa.”Ele sabia que ‘Guerra’ e ‘Paz’ eram um risco”, lembra o filho do artista. “Estava claro que isso podia ser fatal.”<--break->

p>Em entrevista à Rádio Bandeirantes, seu filho, João Candido Portinari, relembra o esforço realizado para trazer para o Brasil os painéis “Guerra” e “Paz”, criados em 1955 e 1956 para a entrada da sede das Nações Unidas em Nova York. Quando ficou sabendo que o edifício entraria em reformas que se estenderiam até 2013, João propôs à Organização a vinda dos painéis para o Brasil. Foi solicitado então que ele apresentasse um projeto e obtivesse o apoio do governo brasileiro.

Pesquisando nos arquivos da ONU, João descobriu que em nenhum dos discursos de abertura das Assembléias Gerais, tradicionalmente proferidos pelo representante do Brasil, nunca houve sequer uma menção ao trabalho monumental de Candido Portinari que adornava a entrada da organização. João informa que Osvaldo Aranha, o primeiro representante brasileiro a discursar na ONU, dizia que a menção a Portinari, um esquerdista, não seria adequada num momento do auge da Guerra Fria. De lá para cá, nenhum outro representante brasileiro se lembrou de homenagear o pintor e seus megaquadros.

Neste ponto, João revela um fato que o deixou muito emocionado. Ao término do discurso na abertura da Assembléia Geral de 2007, pela primeira vez um Presidente brasileiro homenageou Portinari e sua obra. Lula foi esse Presidente.

O filho de Portinari também lembra emocionado o esforço que empreendeu para conseguir patrocínio ao projeto. Entrou em contato com diversas estatais brasileiras, mas em todas as tentativas era sempre recebido pelo escalão médio da organização. Em todas as tentativas, o pedido era recusado, seja por ignorância do funcionário sobre quem era e qual a importância de Portinari, seja por medo de bancar um projeto tão grande. Até que João teve a idéia de fazer uma visita, apresentar o projeto e presentear José Alencar com um livro sobre os painéis “Guerra” e “Paz”. O vice-presidente ficou visivelmente impressionado com o trabalho e imediatamente chamou seu chefe de gabinete orientando-o que fizesse um ofício aos presidentes de todas as principais estatais solicitando apoio financeiro ao projeto. Depois disso, João recebeu um convite para discutir o projeto com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a quem apresentou a idéia de trazer os painéis para o Brasil, executar o trabalho de restauro e expô-los ao público, no Brasil e em outros países.

João Candido conseguiu, então, finalmente apresentar o projeto completo à ONU, com apoio do Itamaraty, financiamento de R$ 7 milhões do BNDES e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) com o valor aprovado para captação de R$ 16,8 milhões, com cerca de 50% já captados. O empreendimento todo incluiu a retirada dos painéis da sede em Nova York, a viagem ao Rio de Janeiro, uma exposição antes do restauro, o processo de restauro, outra exposição em São Paulo. A partir de São Paulo, estão previstas exposições na Argentina, no Japão, na Suécia e na China.

O Rio foi escolhido como local da primeira exposição poque foi onde os painéis foram apresentados pela primeira vez.  A obra volta ao Theatro Municipal após de 53 anos. Em 24 de fevereiro de 1956, ela foi apresentada aos brasileiros pelo então presidente Juscelino Kubitschek, depois seguiu para o edifício sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

Durante a solenidade de inauguração, foi exibido um filme, dirigido por Carla Camurati, apresentando Cândido Portinari, sua obra, e o histórico dos paineis. Ao longo do evento, houve uma projeção multimídia destacando os estudos preparatórios criados por Portinari no período 1952-1955 para ‘Guerra e Paz’, filmes e fotografias de época.

Toda a programação foi conduzida pela atriz Fernanda Montenegro, que falou sobre a vida de Portinari e leu trechos de poemas e pensamentos de Portinari, além de poemas e textos de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Dinah Silveira de Queiroz, Graciliano Ramos, Jorge Amado, e texto do escritor português José Cardoso Pires, entre outros.

O músico Milton Nascimento apresentou duas canções, composições inéditas suas, sobre o tema de Guerra e Paz.  Deu continuidade o Duo Portinari criado pelo renomado coreógrafo norte-americano David Parsons em homenagem aos painéis de Portinari, apresentado pela Primeira Bailarina do Theatro Municipal, Ana Botafogo, e o bailarino Alex Neoral, tendo como trilha sonora a composição Adágio para Cordas, de Samuel Barber (apresentada pela OSB).

O presidente Lula da Silva deu início à revelação dos paineis acompanhado pela Orquestra Sinfônica Brasileira, sob regência do maestro Roberto Minczuk, que apresentou dois movimentos do concerto Requiem de Guerra, composto por Benjamin Britten, e a Nona Sinfonia, de Beethoven.

João Candido conseguiu que a exposição no Rio, que durou apenas 12 dias, fosse gratuita e o público lotou o Theatro Municipal, chegando a 44 mil pessoas. No último dia da exposição, a diretora do Theatro, Carla Camurati, informava aos presentes na fila, do lado de fora do Theatro, que as portas ficariam abertas até que o último da fila houvesse entrado para ver os painéis. O Theatro Municipal ficou aberto até de madrugada naquele dia.

No Japão, inicialmente, o objetivo era expor os painéis em Nagazaki, uma vez que o painel “Guerra” foi inspirado pelo horror da bomba atômica nas cidades japonesas. Aí surgiu um problema: não existe naquela cidade nenhum edifício com pé direito suficiente para abrigar os painéis que tem 10 m de largura por 14 m de altura. Transferiu-se então a exposição para Tokyo.

Na Suécia, João queria expor os painéis no saguão do teatro onde se faz a entrega do prêmio Nobel da Paz, mas novamente o espaço não permitia. Será exposto então num teatro de ópera de Estocolmo. Os participantes da entrega do prêmio Nobel da Paz serão convidados, após a cerimônia, a visitar e conhecer os painéis de Portinari.

João revelou ainda que, durante o processo de restauro, uma empresa de fotografia foi contratada e fotografou cada um das 14 partes que compõe os painéis Serão depois montados painéis em tamanho real que ficarão permanentemente expostos na Central do Brasil , no Rio, para que toda a população possa ter acesso a esse patrimônio da cultura brasileira.

Da Folha – 06/02/2012

“Guerra” e “Paz” de Portinari vêm a SP

Painéis que adornam sede da ONU são exibidos no Memorial da América Latina pela primeira vez após restauro. Exposição que começa hoje marca 50 anos de morte do artista e traz também seus esboços para os megaquadros.

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

No galpão no Rio onde pintou os painéis “Guerra” e “Paz”, Candido Portinari não conseguia ver as obras inteiras, pois o teto não comportava os 14 metros de altura de cada uma das composições.

“Imagina ter na cabeça o equilíbrio cromático do conjunto todo sem poder ver os quadros montados”, provoca o filho do artista, João Candido Portinari. “Ele fez painéis monumentais como se fossem quadros de cavalete.”

Agora, mais de 50 anos depois, as peças criadas em 1955 e 1956 para adornar a entrada da sede das Nações Unidas em Nova York são exibidas pela primeira vez ao público depois de serem restauradas no ano passado no Rio.

Também ganham a companhia inédita de cerca de 90 estudos preliminares de Portinari para os painéis. Nunca antes as peças foram expostas junto de seus esboços.

Todo o conjunto está agora no Memorial da América Latina. No salão de atos, criado por Oscar Niemeyer para abrigar “Tiradentes”, outro painel de Portinari, estão agora “Guerra” e “Paz”.

Na galeria do lado oposto do complexo, ficam seus estudos, enquanto a biblioteca do Memorial terá uma projeção virtual de quase toda a obra do artista, morto aos 58 há exatos 50 anos, em 6 de fevereiro de 1962, no Rio.

Portinari morreu intoxicado pelo chumbo nas tintas anos depois de concluir os dois painéis de Nova York, sua obra mais ambiciosa.

“Ele sabia que ‘Guerra’ e ‘Paz’ eram um risco”, lembra o filho do artista. “Estava claro que isso podia ser fatal.”

Mais de 50 anos depois, quando as obras puderam sair da ONU para serem restauradas, os reparos ocorreram no palácio Gustavo Capanema, no Rio, mesmo lugar onde Portinari foi velado.

Uma equipe de 18 restauradores trabalharam para retirar sujeira acumulada nos vãos entre as 14 placas que compõem cada painel e recuperar trechos desbotados da pintura -um investimento de R$ 7 milhões do BNDES.

“É uma diferença da água para o vinho”, diz Portinari. “Antes havia pontos esbranquiçados nas pinturas; agora, elas estão mais intensas.”

GUERRA E PAZ

QUANDO quando abre hoje, às 20h, para convidados; de ter. a dom., das 9h às 18h; até 21/4
ONDE onde Memorial da América Latina (av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, tel. 0/xx/11/3823-4600)
QUANTO grátis

Fontes:

1) Rádio Bandeirantes – entrevista à jornalista Carolina Ercolin

2) Site do Senador Inácio Arruda : “Guerra” e “Paz” retornam ao Rio de Janeiro – 21/12/2010

3) Folha de S. Paulo – “Guerra” e “Paz” de Portinari vêm a SP – 06/02/2012

4) site Beto Piccolo: Obra de Cândido Portinari passa por reforma! – 02/02/2012

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