Antonio Baracho da Silva – Mestre Cirandeiro


RETIRADO DO site da prefeitura de Abreu e Lima (PE)

-x-x-x-x-x-x-x-x-

Antonio Baracho da Silva

Abreu e Lima, na RMR, que neste ano completa 25 anos de emancipação política, em 14 de maio, data que se desvinculou da vizinha Paulista, foi a cidade que acolheu um dos mais ilustres mestres da cultura popular de Pernambuco, Antonio Baracho da Silva. Baracho, considerado o maior mestre de ciranda do Estado, também conhecido como Mestre de Maracatu.

Teve suas cirandas gravadas por artistas como Capiba, Martinho da Vila, Nelson Ferreira, Teca Calazans, Geraldo Azevedo, Lia de Itamaracá, entre outros. Em maio deste ano, dia 10, se vivo estivesse completaria 100 anos.

Hoje sua obra está sendo preservada pelas suas filhas, Dulce e Severina Baracho, uma nascida em Carpina e outra em Nazaré. Ambas vivem em Abreu e Lima, onde desde pequenas participavam das rodas de cirandas comandadas pelo pai. “Quem tem mais de 30 anos pode lembrar das apresentações nas ruas, praças e feiras livres da cidade. Em especial na Praça Antonio Vitalino, onde funciona até hoje a feira livre de Abreu e Lima, uma das mais tradicionais da região metropolitana”, lembra o músico Sydney Azeredo, diretor de cultura do município. “Nestas apresentações Baracho atraia dezenas de moradores. E suas filhas sempre ao lado dele, repetindo os versos de suas canções”.

Antonio Baracho da Silva, fumante, morreu de câncer na garganta aos 81 anos em maio de 1988, pobre e esquecido. Mas deixou para a cultura popular brasileira uma riqueza sem tamanho. Dulce e Severina Baracho, suas verdadeiras discípulas, são hoje a continuação viva de sua história. Se vivo estivesse, sem dúvida, seu maior orgulho seria ver toda a sua história preservada e continuada por quem tem seu próprio sangue. Suas filhas que mesmo sem apoio lutam para que a obra de seu pai não morra, mas que permaneça viva para sempre na memória do povo Brasileiro.

Abreu e Lima, “terra” de Baracho

A história da cidade Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife, se confunde com a historia de Antonio Baracho da Silva, o Rei da Ciranda. Apesar de ter nascido em Nazaré da Mata, Interior de Pernambuco, Baracho viveu toda sua vida em um dos bairros mais antigos desta cidade: Caetés. Palco de suas apresentações junto à população, que participava da roda, cantando suas composições e dançando ao ritmo contagiante da ciranda.

Suas filhas legítimas Severina e Dulce vivem na mesma cidade e são responsáveis pela preservação e divulgação do patrimônio deixado pelo pai. Hoje sobrevivem das poucas apresentações por todo o Estado e até fora dele. Por dois anos consecutivos concorreram ao beneficio da Lei do Registro de Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco.

Segundo Dulce e Severina, além delas mais uma irmã também participava da brincadeira. Maria José, chamada por Lia, hoje mora no Rio de Janeiro. Os outros irmãos, José Baracho e Maria Anunciadas não entravam na roda, e hoje moram também em Abreu e Lima e são evangélicos.

Baracho também foi mestre de maracatu. “Mesmo depois que deixou Nazaré, ele em todo carnaval voltava para a cidade para ser mestre de Maracatu. Em outras datas ele fazia isso em Tabajara, Olinda, onde foi mestre de Salustiano”, lembram as irmãs. Elas acompanhavam o pai nas suas apresentações em Garanhuns, Goiana, Carpina, Lagoa de Itaenga, Condado, e nas praias do Janga e Pau Amarelo, em Paulista. “Ele era chamado todo o final de semana para alguma cidade para fazer a brincadeira”, recorda Severina com saudades das andadas.

Hoje elas estão cumprindo com o pedido do pai, continuar cantando suas cirandas. Muitas delas imortalizadas nas vozes de cantores nacionais como, Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Alceu Valença, Lia de Itamaracá , entre vários nomes da música popular brasileira. Dulce (4 filhos) e Severina Baracho (3 filhos) já se apresentaram nos festivais Abril Pro Rock (2001) e Garanhuns (2003), Festa da Lavadeira (Praia do Paiva), Vesperal Malakoff, Turista na Moeda (Recife Antigo), Cirandas na Sé (Olinda) e recentemente no Carnaval e festas populares de Abreu e Lima, promovidos pela Prefeitura.

Também cantam novas canções escritas por elas, que não são alfabetizadas. “Papai vai”, de Dulce e “Mamãe eu vou”, de Severina, são algumas de suas composições que fazem parte do repertório de suas apresentações. “São músicas feitas com a benção de meu pai”, diz Dulce.

Anúncios

3 comentários em “Antonio Baracho da Silva – Mestre Cirandeiro

  1. Sou de Nazare da Mata, desde criança eu ouvia falar em Baracho , mas nunca imaginei o potencial cultural que ele e sua familia representa para Pernambuco, parabens para as suas filhas e para a dolcura maior de sua interplete, a Lia de Itamaraca.

    1. Prezado,

      Muito nos honra sua visita aqui, em nosso humilde blog. Estive aí em Nazaré da Mata em 2009 e foi uma das maiores alegrias que senti ao encontrar bons amigos e poder assistir de perto o Maracatu. São tantas as lembranças que, afe!, um dia chego aí de novo.

      Mais uma vez, obrigado por sua visita! Fique com um aquele abraço Romançal! \o/

      Os editores

  2. Meu sobrenome sempre me deixou intrigado sobre minha descendência, ler essas histórias sinto uma alegria enorme que apesar de não saber muito sobre a história da minha família, gostei de saber a importância que Baracho tem na cultura brasileira.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s