Congada de São Benedito de Cotia


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O TEXTO ABAIXO foi retirado de Mestres Navegantes

Mestre Dito de Cotia

A Congada de São Benedito foi trazida para Cotia, há exatos 60 anos, por Benedito Pereira de Castro, o conhecido mestre Dito de Cotia. Ele é presidente do grupo de Congada e, podemos acrescentar em suas atribuições, segundo ele próprio, a função de festeiro – pois sua casa está sempre cheia e animada – e compositor. Em toda festa do Divino de São Luiz do Paraitinga/SP já é tradição mestre Dito com seu violão, cantando sambas tradicionais e composições próprias acompanhado em coro pelos membros de sua família e de um público fiel já de turistas e de luizenses.

Aliás, mestre Dito é nascido em São Luís de Paraitinga, neto de escravos e irmão de Alcidão, que foi Rei do Congo na cidade natal de ambos por muitos anos. Mudou-se para Cotia em 1951, aos 14 anos, e até hoje preserva a tradição de seus antepassados que se configura na principal missão que colocou em sua vida: “continuar a Congada, realizar o 13 de maio em Cotia e ir para São Luiz do Paraitinga nas Festas do Divino”.

A comemoração do treze de maio em Cotia é sempre de uma festa imperdível, sobretudo para aqueles que estão próximos da Grande São Paulo, mostrando a resistência do popular nos grandes centros e deve-se muito a Congada de São Benedito. O evento inicia-se tradicionalmente às 18 horas de sábado e só se finda no começo da noite de domingo, após a procissão, e com a despedida de todas as congadas participantes. E todos os anos várias congadas fazem questão de partilhar da festa do mestre Dito, um ícone para todos.

Segundo a tradição, eles saem da Câmara de Cotia com o busto da Princesa Isabel, louvada pela figura da libertação dos escravos. Ao som de fogos de artifício, tambores, sanfonas, violões e, cantorias comandadas pela Congada de São Benedito de Cotia. Percorrem as principais ruas da cidade rememorando momentos da História de nosso país, como as repressões policiais do Império contra os negros. O terço na residência de mestre Dito é também parada obrigatória. No domingo as congadas continuam se apresentando e a festa termina com uma missa e uma grande procissão com os participantes.

Como na maioria das festas populares, mestre Dito mantém a tradição de solidariedade que remonta historicamente as festas pagãs na Idade Média, durante o 13 de maio em Cotia. Todos são convidados a fazerem doações aos mais necessitados, pois, como num verdadeiro grupo de cultura popular, tudo que se passa na vida desta comunidade é pensada no coletivo. Mestre Dito possui hoje um grupo com dezenas de seguidores que cantam, rezam e dançam com uma felicidade indescritível, com certeza uma das maiores lições deste mestre.

João Rafael Cursino e Galvão Frade

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