Paraty: religiosa e folclórica


RETIRADO DO saite Cultura RJ

Paraty: religiosa e folclórica

Fé e diversão se misturam durante a Festa do Divino, realizada de 17 a 28 de maio no município do litoral oeste do Rio

Matérias 14.05.2012 deixe aqui seu comentário

 A Festa do Divino mobiliza toda a comunidade  (Crédito: Divulgação)

Com uma programação cultural que recheia todos os meses do calendário do ano, Paraty é uma cidade de festejo. Em maio, o folguedo popular que mobiliza a comunidade do município, de 17 a 28, é a Festa do Divino, que mantém o seu caráter comunitário, religioso e folclórico desde o século 18, quando a tradição chegou ao Brasil trazida pelos colonizadores. Celebrado 50 dias após o domingo de Páscoa, o evento homenageia o Espírito Santo, misturando atividades sagradas e profanas durante dez dias de devoção e alegria.
A festa é ampla e animada: contempla missas, ladainhas, leilões, rifas, bingos, além de eventos culturais como pau de sebo, corrida de canoa caiçara, apresentação da figura do boi, danças típicas e shows musicais. Durante a novena, a tradicional procissão das bandeiras vermelhas tendo ao centro uma pomba branca – símbolo do Divino Espírito Santo – percorre as ruas da cidade acompanhada da Folia do Divino e da banda Santa Cecília.

O festeiro, o imperador e a comunidade

Festeira escolhida da vez, Lindalva Maria de Aquino conta como funciona a seleção do responsável por organizar os preparativos da comemoração. “Para ser escolhido como festeiro, tem que mandar uma carta para o padre explicando os motivos da candidatura. No meu caso, foi um pouco diferente. Como eu vou fazer 80 anos, achava que não teria condições de cuidar da festa, que é muito trabalhosa. Mas acabei sendo motivada a me candidatar e aceitei a missão de cuidar da Festa do Divino com muita honra. Normalmente, são escolhidas pessoas que são frequentadoras assíduas da igreja e que têm muita fé”, explica.

Dona Lindalva ainda ressalta a importância da procissão durante a data. “Em cada noite de festa, as bandeiras do Divino saem da casa do festeiro, junto com a comissão, o grupo de Folia e a banda musical. Deixamos as bandeiras das promessas em algumas casas e seguimos em direção à Igreja Matriz”, conta. Figura também tradicional, o imperador é escolhido, a cada ano, pela paróquia. “O imperador é normalmente um jovem da família do festeiro, que, depois de coroado, preside as cerimônias, participa das missas e liberta simbolicamente um preso da cadeia antiga da cidade. Neste ano, o personagem vai ser interpretado pelo meu neto”, completa, orgulhosa.

No sábado de manhã, dia que antecede Pentecostes, quilos de carne são distribuídos aos pobres, como a Rainha Isabel o fez, há 700 anos, por ocasião da construção da Igreja do Espírito Santo, na cidade de Alenquer, em Portugal. “Depois da tradicional entrega da carne, fazemos um grande almoço para cerca de 5 mil pessoas, preparado apenas com doações dos habitantes da cidade”, detalha.

A organizadora explica que a Festa do Divino é festa de Paraty que mais envolve a comunidade. “A data é muito importante por causa da fé do povo. Somos muitos religiosos, e toda a população do município colabora. Apesar de haver outros festejos marcantes, como a Festa de Nossa Senhora dos Remédios, a Festa de Santa Rita e a Festa de São Benedito, a Festa do Divino é a celebração em que os moradores mais participam. Afinal, ela é cheia de detalhes e requer muita dedicação para ser organizada. Não é só uma festa do centro histórico, mas de toda a comunidade.”

Em 2012, a Festa do Divino ganha o título de Patrimônio Imaterial Brasileiro, pelo Iphan, graças a um pedido do Instituto Histórico e Artístico de Paraty, que foi atendido pelo Ministério da Cultura. Ao movimentar o turismo da cidade e comover os próprios nativos, o evento enriquece o calendário do município do litoral oeste fluminense.

Leia mais em Programação Cultural.

Colaboração de Camila Lamha

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2 comentários em “Paraty: religiosa e folclórica

  1. Sendo assim, a Festa do Divino deve mantida em seu caráter popular e resgatada na sua condição de celebrar a manifestação do Espírito Santo sobre a comunidade reunida e o comprometimento dos cristãos com a transformação da sociedade segundo os critérios divinos.

  2. A festa do Divino Espírito Santo é também realizada na cidade de Palmas de Monte Alto no interior da Bahia , esta tradição tem mais de 200 anos na cidade. Todos os anos a Bandeira do Divino vai para casa do festeiro no ano seguinte. A festa é acompanhada com o cortejo do imperador, carros alegóricos feitos pelas mãos de pessoas da comunidade. Um dia antes da missa do Divino as pessoas costumam enfeitar as casas para receber a bandeira em suas moradias, a bandeira é levada até as casas para pedir esmola, várias pessoas a acompanham. Na madrugada do dia do divino a cidade é acordada por uma grande alvorada. A festa chegou Brasil no século XVI popularizando-se como uma manifestação SAGRADO-PROFANA. A indícios de que, no Maranhão, ela tenha chegado com imigrantes açorianos entre 1612 e 1625.

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