Danças dramáticas


O TEXTO ABAIXO FOI RETIRADO do site Portal de Educação Musical do Colégio Pedro II
Vale a pena baixá-lo em PDF

-x-x-x-

Danças dramáticas brasileiras

É uma designação proposta por musicólogos como Mário de Andrade para as danças que envolvem enredo e encenação. Algumas danças dramáticas fazem parte dos costumes do povo brasileiro, entre elas destacam‐se:

O “Bumba meu boi” 

O  bumba‐meu‐boi  é  uma  dança  dramática  brasileira,  que  ocorre principalmente  na região Nordeste. A  dança surgiu  no século  XVIII (dezoito)  como forma  de  crítica  à situação social  dos  negros  e  índios. O  bumba‐meu‐boi combina elementos de comédia, drama, sátira e tragédia, tentando demonstrar a fragilidade do homem, a força bruta de um boi, tendo como tema de fundo a “ressurreição”.

O bumba‐meu‐boi une elementos das culturas européia, africana e indígena.  Enredo  e  personagens:  O  enredo  gira  em  torno  da  história  de  um  rico fazendeiro  que  possui  um  boi  muito  bonito,  que  sabe  dançar.  “Pai  Chico”, um trabalhador da fazenda, rouba o boi para satisfazer sua mulher “Catirina”, que está grávida e sente uma forte vontade de comer a língua do boi. O fazendeiro manda seus empregados procurarem o boi e quando o encontra, ele está morto. Os pajés são chamados para ressuscitarem o boi. Depois de rezarem o boi renasce e todos celebram a saúde do boi com grande festa.

O Boi de Parintins

A  cidade de Parintins no Amazonas, norte do Brasil, tem uma forte tradição com  a  encenação  do  Bumba  meu  boi.  Lá  existem  duas  agremiações:  a  do Boi Garantido (que defende a cor vermelha) e a do Boi Caprichoso (que defende a cor azul), que se “duelam” no grande festival. Hoje em dia esta festa atrai uma quantidade enorme de turistas, que vão apreciar a encenação dos dois “Bois” no “Bumbódromo” da cidade, uma espécie de “sambódromo” para o Bumba‐meu‐boi. As alegorias são ricas como nos desfiles das escolas de samba.

O  bumba‐meu‐boi  possui  diversas  denominações  em  todo  o  Brasil.  No Maranhão, Rio Grande do Norte e Alagoas a dança é chamada de bumba‐meu‐boi, no Pará e Amazonas, boi‐bumbá, em Pernambuco, boi‐calemba, na Bahia, boi‐janeiro, no sul, boi‐de‐mamão, etc.

Maracatu 

Maracatu é uma dança dramática brasileira muito praticada, principalmente em Pernambuco. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo real. Como a maioria das manifestações populares do Brasil, é uma mistura das culturas indígena, africana e européia. Surgiu em meados do século XVIII.  Sua encenação traz diversas características da cultura dos afro‐descendentes.

Os Maracatus mais antigos do Carnaval do Recife, também conhecidos como Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação, nasceram da tradição da Coroação dos  Reis  do  Congo,  uma  encenação  criada  pelos  escravos  e  permitida  pelos portugueses no Brasil. os grandes tambores do maracatu são chamados de alfaias

Do cortejo do Maracatu Nação participam entre 30 e 50 figuras.  Entre elas estão o Porta‐estandarte, trajado à Luís XV (como nos clubes de frevo), que conduz o estandarte.  Atrás,  vêm  as  Damas do Paço,  no  máximo  duas,  e  que  carregam  as Calungas, que são bonecas que simbolizam uma rainha morta.  Calunga na mão de uma dama do passo

Depois das Damas do Paço segue a corte: Duque e Duquesa, Príncipe e Princesa, um Embaixador (nos Maracatus mais pobres o Porta‐estandarte vale como Embaixador). A corte abre alas para o Rei e a Rainha, que trazem coroas douradas e vestem mantos de veludo bordados e enfeitados com arminho. Nas mãos trazem pequenas espadas e cetros reais. Alguns Maracatus incluem nesse trecho do cortejo também meninos lanceiros e a figura do Caboclo de Pena, que representa o indígena brasileiro e tem coreografia complicadíssima.

Pastoril

A  encenação  do  Pastoril  integra  o  ciclo  das  festas  natalinas  do  Nordeste, particularmente, em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. O pastoril é
um dos quatro principais espetáculos populares nordestinos, denominados de danças dramáticas por Mário de Andrade. O povo participa ativamente dos pastoris. O auto,
ou enredo contado, do pastoril é todo relacionado com o Natal.

O “AUTO” DO PASTORIL 

O “auto” conta a história das pastoras a caminho de Belém, onde nasceu Jesus. Lusbel lança mão de muitas artimanhas para desviá‐las do caminho e só não consegue o seu intento graças às interferências de São Gabriel. Frustrado, Satanás  convence  Herodes  a  promover  a  degola  dos  inocentes,  mas  este  é castigado  porque  os soldados matam  o seu filho. Herodes se  arrepende  e  é salvo, enquanto o Demônio é mais uma vez derrotado.

O auto é todo escrito em versos e musicado, com um prólogo, dois atos e um epílogo. A comicidade, uma das características mais fortes dos espetáculos populares  do Nordeste, aos poucos também foi aparecendo no Pastoril. As pastorinhas se dividem em dois cordões, o azul e o encarnado. Os principais personagens do pastoril são: a Mestra, a Contra‐mestra, a Diana, a Borboleta,  as  Pastorinhas,  o  Pastor. Os trajes: saias,  blusas, faixas,aventais, chapéu de palhinha, nas cores azul e encarnado. Levam um pandeiro feito de lata, com cabo e sem tampa, ornado de fita com a cor do cordão a que pertence. Acompanhamento: conjunto de percussão e sopro.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s