Pesquisa na Biblioteca Nacional resgata nomes da literatura feminina


RETIRADO DO Sítio VERMELHO.ORG

A escritora carioca Albertina Bertha (1880-1953) publicou diversos romances e obras filosóficas. Também colaborou com diversos periódicos da imprensa da sua época. Em palestras, falava sobre divórcio, voto feminino e casamento por escolha. “Era uma mulher muito à frente do seu tempo. Ela tem um discurso feminista e intelectual e conta com uma produção intensa e rica”, explica Anna Faedrich, pesquisadora residente da Biblioteca Nacional.

Albertina Bertha abriu caminho para outras escritoras de renome como Raquel de Queiroz e Clarice Lispector

Albertina Bertha abriu caminho para outras escritoras de renome como Raquel de Queiroz e Clarice Lispector

Como outras autoras da época, no entanto, Albertina caiu no esquecimento e não aparece nos livros de História da Literatura Brasileira – apesar de sua grande produção e de ser citada por escritores de renome como Lima Barreto.

Desde outubro do ano passado, Anna Faedrich vem resgatando nos arquivos, livros e jornais da Biblioteca Nacional essas escritoras pioneiras que abriram caminho para autoras consagradas como Raquel de Queiroz e Clarice Lispector. O objetivo é estudar mulheres escritoras da virada do século 20 para o 21 e entender por que ficaram desconhecidas ao longo do tempo.

O interesse de Anna pelo assunto surgiu durante sua tese de mestrado, em Porto Alegre (RS). “É incrível pensar numa mulher, como Albertina, falando sobre isso naquela época e para vários homens. Dava palestras até em Paris, vinha de uma família rica, era filha do conselheiro Lafayette Stockler”, explica ela, que desenvolve a pesquisa “As mulheres do século 19 e a imprensa periódica”.

Esquecimento cultural

Além de Albertina, a pesquisadora pretende identificar a participação das autoras em jornais e periódicos e resgatar do esquecimento esses nomes importantes do espaço literário da época. Nesse levantamento, outras escritoras já chamam a atenção da pesquisadora.

São os casos de Adelina Amélia Lopes Vieira, que escreveu poemas, contos infantis e peças de teatro, e de Narcisa Amália de Campos, considerada a primeira jornalista profissional no Brasil. Natural de São João da Barra (RJ), Narcisa defendia a abolição da escravatura, as mulheres e os excluídos na sociedade. Também escreveu diversos poemas.

Segundo a pesquisadora, essas mulheres foram apagadas da história da literatura e são desconhecidas do grande público.

“Acredito que há um cânone literário predominantemente masculino, mas também acredito que o teor das obras literárias influencia a sua permanência ou não neste cânone”, afirma. “Obras literárias da linhagem da introspecção acabam sendo desvalorizadas em relação às obras de linhagem sociológica e histórica, que tratam da formação do Brasil.”

Para realizar a pesquisa, Anna conta com amplo acervo da Biblioteca Nacional e seus recursos tecnológicos. “A hemeroteca (sistema online gratuito de busca e de acesso a periódicos nacionais) é um achado, uma grande ferramenta com sistema de busca altamente qualificado”, afirma.

“Tenho acesso a jornais antigos e posso ver e pesquisar sem destruir. A leitura em OCR (tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres) permite fazer a busca por palavras, ampliando a capacidade de pesquisa e reduzindo tempo de busca por informações”, elogia.

Fonte: Ministério da Cultura

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